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quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Apelidos: dupla identidade, Martha Medeiros

Os apelidos são uma maneira poderosa de botar as pessoas nos seus devidos lugares. Essa frase é da escritora Doris Lessing, e chamou minha atenção porque diz justamente o contrário do eu sempre pensei de apelidos. Sempre achei que fossem um carinho, um atalho para a intimidade, ou ao menos um meio mais rápido de chamar alguém: em vez de João Carlos, Joca; em vez de Maria Aparecida, Cida; em vez Adalberto, Beto. Nenhuma má intenção. 
O que Doris Lessing quis lembrar é que apelidos nem sempre são afetuosos. A maioria dos apelidos nascem na infância e são dados por outras crianças que, como todos sabem, de anjo só têm a cara. Crianças adoram pegar no pé das outras, e á aí que começa o batismo de fogo.
Uma banana-split todo dia na hora do recreio. Gordo. Vai ser Gordo o resto da vida, mesmo que venha a ser jóquei, faquir, homem elástico: vai morrer Gordo. 
Se for loiro, é Xuxa. Se a voz for engraçada, é Fanho. Se não for filho único, é Mano, Mana, Maninha. Irmãos de quem, eu conheço?
Fui colega de um cara bárbaro que se chamava Antônio, mas se alguém o chamasse assim, ele nem levantava os olhos. É o Verde. Uma mãe e um pai colocam um nome lindo no filho e não pega.
FHC, PC, ACM, agora é mania: transformar pessoas em siglas. Sorvetão era o apelido de uma paquita chamada Andrea: Sorvetão! E o Caetano Veloso inovou mais uma vez, registrando seus filhos como Zeca e Tom, que jamis serão apelidados. 
Muita gente, secretamente, detesta a própria alcunha, mas são obrigados a resignar-se, sob o risco de perder a identidade. Qual o nome do Bussunda, do Tiririca, do Chitãozinho e Xororó? Anônimos Cláudios, Ricardos e Fernandos. Nomes que só existem em cartório.
Apelido gruda, cola, vira marca registrada. Tem negro que é Alemão, tem grandão que é Fininho, tem careca que é Cabeleira, tem ateu que é Cristo, tem moreno que é Ruivo, tem albino que é Tição. Apelido não tem lógica. Tem história. 
Doris Lessing, quando criança, tinha um apelido para sua segunda personalidade: chamava si mesma de Tigger. Doris era um nome para consumo externo, para denominar a menina boazinha  que aparentava ser. Tigger era o que ela era em segredo: sarcástica, atrevida, extrovertida. Com esse depoimento, Doris Lessing mostrou a verdadeira utilidade dos apelidos, em vez daquela coisa antipática de "colocar as pessoas em seus devidos lugares". O bom do apelido é que ele nos dá a permissão para sermos vários: Afonso Henrique combina com gravata, mas Ique tem mais a ver com bermuda. Esta aí uma maneira sutil de legalizar o nosso outro eu, o que ficou sem registro.  

terça-feira, 5 de agosto de 2014

FLIC - Primeiro cartaz

A Biblioteca Pública Municipal Djalma Andrade divulgou no último sábado, dia 2 de agosto, o primeiro cartaz promocional da Festa Literária de Congonhas.

Confira:


Acompanhem mais informações sobre a FLIC aqui no blog. 

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Resenha - Amor Invertido, Maximiliano Souza


(Amor Invertido, Maximiliano Souza. MODO Editora, 2012. 227 p.)

Esse é outro desses típicos romances que parecem ter seus enredos criados a partir da velha receita básica. Diego sai da pequena cidade de Bonito e vai morar com a irmã na grande São Paulo, com pretensão de cursar a faculdade. Entretanto, o que se pode esperar, ele se envolve com Vinícius, um fotógrafo rico e já conhecido da família.

De todas as tentativas de criar uma reviravolta para o casal do livro o autor esbarra nas já corriqueiras situações das novelas globais. Diego não acredita poder se apaixonar por um homem e em seu discurso referisse à homossexualidade do vizinho de apartamento como “anormalidade” e empreende por vezes um pensamento preconceituoso. Narrado em primeira pessoa, a voz da protagonista conduz a narrativa basicamente por uma visão preconceituosa, não somente à questão da sexualidade como também à racial.

O autor tenta por vezes criar um drama psicológico para a protagonista, mas morre na voz juvenil fora do contexto. As introduções de narrativas secundares são superficiais e ganham pouca relevância ao enredo central, o que parece ser de extrema importância. O passado das personagens, por exemplo, não é trabalhado e fica restrito à visão nada panorâmica do narrador-personagem.

“Quer dizer, eu era uma pessoal NORMAL. Já tinha tido várias namoradas. Inclusive já havia dormido com algumas.”

Quanto ao tema homossexualidade, temos Diego certo de sua sexualidade, mas abalado ao primeiro contato com Vinícius. A resistência está ligada à sua consciência preconceituosa e vê no vizinho a personificação de um desejo físico incompreendido. A mente não aceita as necessidades do corpo. Vinícius nutria uma velha obsessão por Júlio, irmão de Diego, morto anos atrás. O amor platônico acabou por transformá-lo em um maníaco que espalha fotos do outro pelo quarto.

“Não queria ser anormal. O que havia me deixado curioso a princípio era saber qual dos sentimentos era mais forte: meu instinto ou meu medo.”

Existe, então, a dualidade entre o que aceita com naturalidade a homossexualidade e o que abomina e tem receio que as pessoas descubram. Uma cena para descrever um ato homofônico, se já não bastasse os da protagonista, é apresentado no final do livro e parece um daqueles pedidos editoriais para tornar a obra vendável e condizente com nossa realidade. Algo recebido sem importância pelas personagens tanto quanto para o leitor. (A criatividade no caso foi tamanha que o autor só repetiu o caso das lâmpadas florescentes).   
Outra introdução malsucedida do autor está no relacionamento da irmã de Diego, Juliete. Ela mantém sentimentos por um afrodescendente. Novamente nos deparamos com o discurso preconceituoso da protagonista que em um dado momento referisse a ele como “bicho raro”, entre outras denominações. Se tudo não passa de um equívoco inicial não é apresentado nenhum diálogo de aceitação.

A linguagem é bastante juvenil a um livro que pertence a um selo especial para obras que abordem o tema homossexualidade, dedicado a adultos. Durante toda a leitura, o leitor encontra erros de revisão, como palavras com grafia errada e acentuação longe das novas normas ortográficas.


Enfim, uma mísera estrela sem recomendações.                      

domingo, 26 de janeiro de 2014

Talvez o amor escape




Por R.S.Merces

“Não havíamos percebido que aquilo que o público realmente abomina na homossexualidade não é a coisa em si, mas o fato de ser obrigado a pensar nela.”, assim escreve E. M. Forster nas notas finais de seu romance, “Maurice”. A frase vem seguida de “Maurice talvez escape”.

O livro escrito estre os anos de 1913 e 1914 permaneceu guardado até sua publicação em 1971. O tema homossexualidade era ainda restrito na literatura e podemos apontar o início do modernismo como grande difusor de um novo pensamento sobre o homem. Publicações como “O quarto de Jacob” de Virginia Woolf e “Ulysses” de James Joyce, apresentam o amor de um jovem por seu amigo e uma androginia masculina, respectivamente. Contudo somente depois dos anos 60, movimentos de grupos homossexuais possibilitam a leitura do amor não estereotipado de Forster.

Maurice é um homem “comum”, “desajeitado”, sem nenhuma caracterização, o que o deixa até mesmo desorientado no reconhecimento de seu amor por Clive, um intelectual que busca nos conhecimentos gregos sua identidade. Contrariando a tradição, existe aqui um final feliz, o que torna o enredo quase impossível à sociedade tradicional da época em que foi escrito.

Se o século XX trouxe um grande avanço quanto ao reconhecimento do amor de um homem por outro homem, infelizmente somos, diariamente, confortados por pensamentos arcaicos principalmente por ideologias religiosas. As palavras de Forster escritas em setembro de 1960 são tão atuais quanto seu romance.

Acompanhamos nos últimos dias as agressões virtuais sofridas pela escritora Lilian Farias na divulgação de seu novo romance “Mulheres que não sabem chorar”. Por enquanto só tivemos a publicação da sinopse do livro e de seu referido tema, a homossexualidade feminina. Contudo as poucas palavras já causaram desconforto na internet e a autora tem recebido mensagens de ódio e comentários ofensivos tanto ao texto quanto à sua vida pessoal.

É comum que escritores sejam constantemente confundidos com suas narrativas, criando neles a personificação da verdade falha no texto. Esses limites, não reconhecíveis, no trabalho de Lilian Farias demonstra o quanto ainda vivemos em uma sociedade que não quer pensar na possibilidade de um verdadeiro amor entre pessoas do mesmo sexo.

As redes sociais hoje em sua grande abrangência de usuários comportam infinitas representações de ideologias marcantes do século XXI. E é essa liberdade que torna esse livro possível mesmo com as diversas denúncias contra a página de divulgação.

“Mulheres que não sabem chorar” não ficará guardado em uma gaveta por 56 anos e ainda esse ano os leitores poderão conferir o romance dessas duas “ainda misteriosas” personagens.

E aos preconceituosos de plantão, lembrem-se de que ninguém precisa de salvação, precisamos é de A.M.O.R. Lembrem-se de que a resistência criou a guerra e a guerra dizimou milhões de pessoas. Lembrem-se de que não são obrigados a ler nada que não quiserem ler. Lembrem-se de que somos humanos, somente ISSO.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Resenha - Barbara está morta e outros contos de horror, Celly Borges



“A emoção mais antiga e mais forte da humanidade é o medo, e o mais antigo e mais forte de todos os medos é o medo do desconhecido." O horror sobrenatural na literatura - Howard Philip Lovecraft

Ao leitor que inicia a leitura pode parecer um mundo palpável com um desfecho previsível nas primeiras páginas, muito se engana ele. Celly Borges está pronta para contar histórias assustadoras e surpreendentes. O pano de fundo para as narrativas de “Barbara está morta e outros contos” são vezes reconhecíveis na história da literatura.

No conto que dá título ao livro temos duas realidades contrastantes em Londres. Uma mulher dos centros ricos acaba em ruelas imundas, habitadas por prostitutas, a população de classe baixa e assassinos. Ali Bárbara é um ser estranho, digno de olhares curiosos e está sendo seguida por uma criatura sombria. A certeza do destino de Bárbara lembra a narrativa de Gabriel García Márquez em “Crônica de uma morte anunciada” e os cenários explorados pela autora contracenam com os da literatura noir.

A religiosidade, marca presente nas histórias de horror, também compõe alguns dos textos de Celly Borges. No segundo conto, “A Torre”, a personagem principal está aprisionada por um padre, sujeita a discrepância dele.

Em “Encontro com a maldição” mora a genialidade da autora em brincar com seu leitor. Aqui o final é previsível, tem-se certeza deste, pois não é inédito as situações que conduzem o conto. E, então, há a surpresa, a hesitação... características dos textos de literatura fantástica.

As possibilidades encontradas por Celly Borges denotam a grandiosidade da obra que vem sendo escrita por contos em antologia de diversas editoras do país.


O livro é composto por quatro contos, publicados pela Editora Estronho em formato e-book.

Confira mais informações Aqui.     

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Lançamento em Juiz de Fora - "Doce de Lira, Poesia à Mesa"


Serviço:
Data: 04/12/2013
Horário: 20 H
Local: Teatro Clara Nunes - Sesc Juiz de Fora
           Av. Barão do Rio Branco, 3090 - Centro

sexta-feira, 1 de março de 2013

Dica da Semana - "O dono do rádio", Aguinaldo Tadeu


Neste livro encontram-se contos que registram a vida cotidiana e a essência do ser humano. Com características singulares, O dono do rádio é uma obra premiada no Prêmio Funarte Literatura 2010. Ao mesmo tempo em que retrata o local, tem em si um caráter global. O registro das histórias é um convite à reflexão e à leitura prazerosa. Há uma surpresa em cada linha e o ritmo nos leva a querer ler compulsivamente as próximas histórias. O autor faz pulsar nas entrelinhas as chagas sociais do real com o irreal. Temas como loucura, ingenuidade, disputas, religiosidade, tradições e relacionamentos são desenvolvidos de maneira provocadora de modo que o leitor se envolve e dialoga com texto.

Página do livro no Skook: Aqui.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

[Resenha] - O céu é logo ali, Lilian Farias

A literatura é assim, quando menos esperando ela nos oferece histórias incríveis. Não podemos prevê quando virão e muito que rumo tomarão, entretanto são escritas com um forte poder de transformação.
“O céu é logo ali” de Lilian Faria traz uma narrativa recheada de fortes sentimentos e conflitos presentes no ser humano.
Sinopse:
“O céu é logo ali” se desenvolve em um turbilhão de sentimentos, em facetas representadas por duas personagens e o que as cercam, com desejos, sonhos, lembranças, descobertas e inquietações marcando um encontro em que histórias paralelas se unem pelo mesmo ideal: liberdade! Mas, o que é a liberdade? O que aprisionava Dolores e Clarice para que o encontro pudesse salvar suas almas encarceradas? Ao adentrarmos nos mundos distintos dessas duas jovens, mergulhamos numa profusa miscigenação de anseios, lutas, estratégias de sobrevivência. A história de duas mulheres que unidas pelo destino resolvem aflorar todo fluxo de sobrevivência do "ser", do corpo, da alma, da mente, que advém quando se é permitido ser livre. Liberdade, essa, assemelhada a quem saboreia o voo das borboletas.

A autora a cada capítulo nos apresenta uma personagem nova entre a vida das protagonistas, Dolores e Clarice. Essas histórias se chocam em um determinado momento apresentando com maestria um enredo envolvente e criativo.
Se a fantasia hoje engloba um maior número de leitores, Lilian se arrisca em um campo verdadeiro, humano que pode ser tocado por seus leitores. É fácil se identificar com essas vidas tão distintas e esses sentimentos tão recorrentes. Aliás, quem não procura a liberdade?
Lilian escreve com a alma e já espero ansiosamente por seus próximos livros. “O céu é logo ali” será publicado pela Editora MODO, com lançamento previsto para a bienal do Rio de Janeiro deste ano.

Confira página do livro no Skoob: Aqui.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Resenha - Diário de Rafinha - As duas faces de um amor, Léo Dragone


Título: Diário de Rafinha - As duas faces de um amor; Autor: Léo Dragone; Editora: Giz Editorial; Ano: 2009, Página: 126.



Para os leitores do blog que acompanham as resenhas publicadas já deve ter percebido o ressaltar de diversos livros que tratam da homossexualidade masculina, autores consagrados como Virginia Woolf e E.M.Forster.

Hoje escrevo a vocês sobre outra obra singular, “Diário de Rafinha – As duas faces de um amor” do escritor brasileiro Léo Dragone que veio a publicá-la com apenas dezenove anos com edição da Giz Editoral.

Bom, se a sociedade está pronta para determinar estereótipos, Léo nos apresenta uma personagem que foge dos padrões, capaz de loucuras para conquistar um amor não correspondido. O desenrolar da história se dá quando Rafael se vê apaixonado pelo namorado da irmã, começa, então, a arquitetar planos contra tudo e todos para estar perto de Tom.

O autor nos encarrega de uma leitura recheada de situações mirabolantes, vezes mal escritas para determinar barreiras ao ápice tão desejado por Rafinha. O fato da natureza sexual de ambas as personagens serem distintas fica em um primeiro momento omissa, com relações paralelas dentro do aceitável no mundo das personagens.

Para a surpresa do leitor, não vou dar detalhes do enredo e das diversas atrocidades que a personagem é capaz de cometer e suas consequências. Tudo acontece muito rápido sem espaço de tempo, nem mesmo temos uma estruturação em capítulos.

A falta de capítulos e o uso da terceira pessoa com diversos pontos de vista das personagens pode deixar a leitura confusa.

Avaliação: 2 Estrelas

Sobre o autor:

Léo Dragone é um adolescente de 19 anos, nascido e criado à beira mar, na bela, ensolarada e turística Salvador. Amante das letras, leitor assíduo de Jorge Amado e outros escritores da contemporaneidade, Léo ocupa seu tempo livre com criação literária, em busca da superação dos desafios que a vida lhe impôs, tentando transformar o mundo através da arte. Modelo e estudante de teatro, ele se revela um artista eclético, em busca da perfeição e do equilíbrio estético. Poeta de corpo e alma, já participou de antologias e guarda cadernos com poemas que pretende publicar em breve.



sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Resenha - Química de Nós, Afonso Celso Henriques


Título: Química de nós; Autor: Afonso Celso Henriques; Editora: Lesma Editores; Ano: 2011; Páginas: 76.



Escrever sobre um livro de poesias não é uma tarefa muito fácil, pelo menos para mim. Do pouco que conheço do autor Afonso Celso Henriques, seu livro “Química de Nós” é uma autobiografia corajosa pronta a desprender-se de conceitos e encarar uma realidade sublime e terrivelmente cruel.

Digo, então, que libertar-se é uma tarefa ainda mais difícil. A poesia para mim sempre foi e continuará sendo fragmentos de seu autor e quando caio a interpretá-las existe só um monte de palavras que não poderão ser lidas como por seu criador, porém lhe abre possibilidades para espelhar-se em suas próprias experiências de vida.

Afonso consegue nos transportar por seus mundos e sentimentos, desde sua infância na cidade de Capela Nova até os encontros e desencontros de sua vida adulta em Conselheiro Lafaiete e Congonhas.

ESCRITAS LIBERTAS
Escrever dói,
Já me disseram
Liberta-me, porém.
Dos fartos estoicos
e das palavras fugidias.
Liberta-me das prisões impostas.
Dos ditos e não ditos.
Doem-me os dedos.
Entretanto, eu, poeta bissexto,
travo lutas internas e não deixo a alma escrava.

A edição da LESMA Editora ainda nos contempla com fotografias da infância do autor e das cidades por onde morou. A leitura é fluida e aos amantes de poesia, Afonso escreve com coragem seus sentimentos.

Avaliação final: 4 Estrelas

Sobre o Autor:

Nasceu em 1967, em Capela Nova, Minas Gerais. Filho de Maria Moreira Pereira e Waldivino Gomes Henriques, tem sete irmãos e uma família numerosa. Em 1976, deixa a cidade natal para morar em Conselheiro Lafaiete. Em 1991, forma-se em Letras pela Fafic – Congonhas e onde atua como professor há dez anos, além de lecionar nas escolas Municipal “João Narciso”, também em Congonhas e “Monsenhor Horta”, em Conselheiro Lafaiete. Trabalhou ainda em Cristiano Otoni na Escola Estadual “Cel. Alcides Dutra”.
Fez pós graduação em Língua Portuguesa pela UFOP-MG e Gestão de Pessoas pela PUC-MG. Atualmente é mestrado em Administração – Gestão Pública pela Fead-MG.

Deixo aqui uma indicação a todos os leitores do blog e caso tenha interesse em adquirir um exemplar, Compre Aqui.

Confiram também a página do livro no Skoob


segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

TOP - Melhores e Piores leituras de 2012

Hoje escrevo sobre minhas leituras de 2012, o melhor e o pior deste ano que não celebrou o fim do mundo e foi o mais produtivo para mim na leitura.

Somam 57 livros lidos, então, devo dizer que dá para ter uma boa noção de bom e ruim e mesmo que quisesse fazer um TOP 10 para cada um, não foi possível. Alguns títulos de maneira nenhuma poderia entrar em uma lista e ser excluído da outra, então nem serão citados.

Vamos começar com o que de melhor eu li este ano?

TOP 7 – Melhores leituras de 2012


#7A Fúria dos Reis, George R. R. Martin

Segundo volume da aclamada série “As crônicas de gelo e fogo”, não me surpreendeu tanto quanto o primeiro, entretanto Martin mostra novamente suas habilidades em manter o leitor vidrado em seus personagens.

Um cometa da cor do sangue e fogo atravessa o céu. E a partir da cidade antiga de Dragonstone às margens proibidas de Winterfell, reina o caos. Seis nações lutam pelo controle de uma terra dividida e pelo Trono de Ferro dos Sete Reinos, preparando-se para o embate através de tumulto, confusão e guerra. É um conto em que irmãos conspiram contra irmão e os mortos se levantam no meio da noite. Neste lugar uma princesa se disfarça como um garoto órfão, um cavaleiro espiritual prepara um veneno para uma feiticeira traidora, e homens selvagens descem das Montanhas da Lua para devastar o campo de batalha. Com um pano de fundo incesto, alquimia e assassinato, a vitória pode chegar aos homens e mulheres possuidores do aço mais frio… e corações mais gelados. Quando há um confronto entre reis, toda a terra treme.

Nas diversas conversas com fãs da série o terceiro volume, “A Tormenta de Espadas”, é citado como o melhor. Infelizmente o tempo foi curto e não tive oportunidade de lê-lo.

#6A Culpa é das Estrelas, John Green

Uma das leituras mais agradáveis do ano.

Em A Culpa é das Estrelas, Hazel é uma paciente terminal de 16 anos que tem câncer desde os 13. Ainda que, por um milagre da medicina, seu tumor tenha encolhido bastante — o que lhe dá a promessa de viver mais alguns anos —, o último capítulo de sua história foi escrito no momento do diagnóstico. Mas em todo bom enredo há uma reviravolta, e a de Hazel se chama Augustus Waters, um garoto bonito que certo dia aparece no Grupo de Apoio a Crianças com Câncer. Juntos, os dois vão preencher o pequeno infinito das páginas em branco de suas vidas.









#5O Nome do Vento, Patrick Rothfuss

Primeiro volume de “A Crônica do Matador do Rei”, o livro segue sob um ritmo lento, porém seus leitores vão logo se cativar com a personagem principal e sobre mistério ao seu redor: Um herói? Um vilão?

Ninguém sabe ao certo quem é o herói ou o vilão desse fascinante universo criado por Patrick Rothfuss. Na realidade, essas duas figuras se concentram em Kote, um homem enigmático que se esconde sob a identidade de proprietário da hospedaria Marco do Percurso.
Da infância numa trupe de artistas itinerantes, passando pelos anos vividos numa cidade hostil e pelo esforço para ingressar na escola de magia, O nome do vento acompanha a trajetória de Kote e as duas forças que movem sua vida: o desejo de aprender o mistério por trás da arte de nomear as coisas e a necessidade de reunir informações sobre o Chandriano - os lendários demônios que assassinaram sua família no passado.
Quando esses seres do mal reaparecem na cidade, um cronista suspeita de que o misterioso Kote seja o personagem principal de diversas histórias que rondam a região e decide aproximar-se dele para descobrir a verdade.
Pouco a pouco, a história de Kote vai sendo revelada, assim como sua multifacetada personalidade - notório mago, esmerado ladrão, amante viril, herói salvador, músico magistral, assassino infame.
Nesta provocante narrativa, o leitor é transportado para um mundo fantástico, repleto de mitos e seres fabulosos, heróis e vilões, ladrões e trovadores, amor e ódio, paixão e vingança.

Outra vez, diversos leitores da série já falaram comigo que o segundo volume é ainda melhor, esse talvez entre para a lista do ano que vem.

#4A Metamorfose, Franz Kafka

Esse foi meu primeiro contato com a obra de Kafka e o li especialmente para o I Encontro de Leitores de Literatura Fantástica de Congonhas. É uma obra que independente de sua data de publicação tem uma forte presença na sociedade atual, com uma crítica social forte.

A Metamorfose é a mais célebre novela de Franz Kafka e uma das mais importantes de toda a história da literatura. O texto coloca o leitor diante de um caixeiro-viajante - o famoso Gregor Samsa - transformado em inseto monstruoso. A partir daí, a história é narrada com um realismo inesperado que associa o inverossímil e o senso de humor ao que é trágico, grotesco e cruel na condição humana - tudo no estilo transparente e perfeito desse mestre inconfundível da ficção universal.

Uma leitura mais do que recomendada.








#3O Quarto de Jacob, Virginia Woolf

Outra vez primeiras experiências, agora com a escritora inglesa Virginia Woolf. A indicação para a obra “O Quarto de Jacob” estava no prefácio de “Maurice” de E.M.Forster escrito por Ronald Polito.

Li este ano ainda o livro “Profissões para mulheres e outros artigos feministas” que reuni alguns de seus ensaios e resenhas e posso dizer que sou um admirador convicto e entre minhas metas para 2013 está a leitura de pelo menos uns cinco livros da autora, quem sabe mais.

Uma obra libertadora.

O Quarto de Jacob é o livro que marca a passagem de Virgínia Woolf da literatura tradicional para o universo do experimentalismo, com o qual acabaria deixando sua revolucionária marca literária. Jacob Flanders é o personagem central de uma história, que não se revela e nem se conclui. Nesta obra, não é a ação que conduz a narrativa, mas os tormentos, as dúvidas, as ambições, e os amores por pessoas e livros, que ditam o rumo dos acontecimentos. A seqüência dos eventos é apresentada da mesma forma aparentemente desconexa que rege a mente humana. Traduzido pela consagrada autora Lya Luft, a obra se mantém repleta de nuances.


#2Trilogia Jogos Vorazes, Suzanne Collins

Não podemos negar que este foi o ano das distopias. O gênero literário ganhou diversas publicações em língua portuguesa e alguns anúncios para adaptações cinematográficas. Distopia não é novidade, porém vem alcançando um maior número de leitores principalmente do público juvenil.
Meu segundo lugar, então, fica com uma das séries de maior sucesso, “Jogos Vorazes”. Não a coloco aqui só pelo número de leitores, mas por ser um das únicas leituras a me surpreender. Não conseguia largar esses livros enquanto lia e sempre queria mais.
Nesse caso especifico não me dei ao luxo de escolher somente um para entrar na lista, seria um trabalho ainda mais difícil e cruel.

Após o fim da América do Norte, uma nova nação chamada Panem surge. Formada por doze distritos, é comandada com mão de ferro pela Capital. Uma das formas com que demonstram seu poder sobre o resto do carente país é com Jogos Vorazes, uma competição anual transmitida ao vivo pela televisão, em que um garoto e uma garota de doze a dezoito anos de cada distrito são selecionados e obrigados a lutar até a morte! Para evitar que sua irmã seja a mais nova vítima do programa, Katniss se oferece para participar em seu lugar. Vinda do empobrecido distrito 12, ela sabe como sobreviver em um ambiente hostil. Peeta, um garoto que ajudou sua família no passado, também foi selecionado. Caso vença, terá fama e fortuna. Se perder, morre. Mas para ganhar a competição, será preciso muito mais do que habilidade. Até onde Katniss estará disposta a ir para ser vitoriosa nos Jogos Vorazes?

#1A Visita Cruel do Tempo, Jennifer Egan

Egan escreve com personalidade um provável futuro para a humanidade seguindo pela ascensão da tecnologia e como esta pode mudar o ser humano. Com diversas histórias paralelas, “A visita cruel do tempo” é inovador, pronto a nos fazer refletir sobre nossas ações, porém em momento nenhum nos dita lições de auto-ajuda.

Minha melhor leitura de 2012 e o pouco que escrevo sobre esse livro não será capaz de descrever a grandiosidade dessa história.

Bennie Salazar é um executivo da indústria musical. Ex-integrante de uma banda de punk, ele foi o responsável pela descoberta e pelo sucesso dos Conduits, cujo guitarrista, Bosco, fazia com que Iggy Pop parecesse tranquilo no palco. Jules Jones é um repórter de celebridades preso por atacar uma atriz durante uma entrevista e vê na última — e suicida — turnê de Bosco a oportunidade de reerguer a própria carreira. Jules é irmão de Stephanie, casada com Bennie, que teve como mentor Lou, um produtor musical viciado em cocaína e em garotinhas. Sasha é a assistente cleptomaníaca de Bennie, e seu passado desregrado e seu futuro estruturado parecem tão desconexos quanto as tramas dos muitos personagens que compõem esta história sobre música, sobrevivência e a suscetibilidade humana sob as garras do tempo.

O livro ganhou o Pulitzer e Egan visitou o Brasil na FLIP.

Essas foram minhas melhores leituras. Espero que tenham gostado e podem deixar seus comentários lá embaixo.

Agora vamos para as piores e derradeiras leituras de 2012.


TOP 5 - Piores leituras de 2012

#5Assassin’s Creed - Renascença, Oliver Bowden

Além dos romances distópicos, diversos livros adaptados dos games foram lançados e estão programados para serem lançados. “Assassin’s Creed – Renascença” foi meu primeiro contato com esse universo e infelizmente detestei a leitura a ponto de terminá-lo por obrigação mesmo.

Traído pelas famílias que governam as cidades-estado italianas, um jovem embarca em uma jornada épica em busca de vingança. Para erradicar a corrupção e restaurar a honra de sua família, ele irá aprender a Arte dos Assassinos. Ao longo do caminho, Ezio terá de contar com a sabedoria de grandes mentores, como Leonardo da Vinci e Nicolau Maquiavel, sabendo que sua sobrevivência depende inteiramente de sua perícia e habilidade. Para os seus aliados, ele será uma força para trazer a mudança lutando pela liberdade e pela justiça. Para os seus inimigos, ele será uma ameaça que procura destruir os tiranos que oprimem o povo da Itália. Assim começa uma épica história de poder, vingança e conspiração.

O que mais me incomodou foi a presença de Leonardo Da Vinci na narrativa de ficção como um ajudante na vingança da personagem principal.

Ainda leirei os outros volumes para quem sabe comprovar uma melhora.



#4 – Por isso a gente acabou, Daniel Handler

Uma personagem dramática que precisa repetir a cada página “e por isso a gente acabou”, o que me tirou do sério em quase toda a leitura. A diagramação é perfeita, porém incapaz de equilibrar a derradeira narrativa.

Por isso a gente acabou trata, com a comicidade típica do autor, de uma situação difícil pela qual todos um dia irão passar: o fim de uma relação amorosa e toda a angústia, tristeza e incerteza que essa vivência pode gerar. Min Green e Ed Slarteron estudam na mesma escola e, depois de apenas algumas semanas de convívio intenso e apaixonado, acabam o namoro. Depois de sofrer muito, Min resolve, como marco da ruptura definitiva, entregar ao garoto uma caixa repleta de objetos significativos para o casal junto com uma carta falando sobre cada um desses objetos e do episódio que ele representou, sempre acrescentando, ao final, uma nova razão para o rompimento. Essa carta é o texto de Por isso a gente acabou, que é, assim, carregado de um tom informal e tragicômico - características da personagem - e traduz com um misto de simplicidade e profundidade a história de uma separação. Imerso neste universo adolescente, o leitor conhecerá a divertida personalidade de Min, uma garota apaixonada por filmes cujo sonho é ser diretora de cinema, e as idas e vindas deste romance, desde o dia em que os dois conversaram pela primeira vez até o instante em que tudo acabou. A artista Maira Kalman, autora de diversas capas da revista The New Yorker, ilustrou cada um dos objetos da narrativa, trazendo cor e descontração a esta história dolorida.

#3 – A garota da capa vermelha, Sarah Blakley-Cartwright 

Aqui temos o inverso, o livro foi baseado no filme. Achei que podia ter um bom resultado e a autora faz um trabalho ainda pior. Se você viu o filme, não precisa perder tempo com o livro.
E para melhorar a situação do leitor a editora não colocou o final na edição impressa e o disponibiliza na internet. Para falar a verdade nem tive curiosidade de abrir o site.

O corpo de uma garota é descoberto em um campo de trigo. Em sua carne mutilada, marcas de garras. O Lobo havia quebrado a paz. Quando Valerie descobre que sua irmã foi assassinada pela lendária criatura, ela acaba mergulhando de forma irreversível em um grande mistério que vem amaldiçoando sua aldeia por gerações. A revelação vem com Father Solomon: o Lobo habita entre eles — o que torna qualquer pessoa do vilarejo suspeita. Estaria Peter, sua paixão secreta desde a infância, envolvido nos ataques? Ou seria Henry, seu noivo, o Lobisomem que assola as redondezas? Ou, talvez, alguém mais próximo? Enquanto todos estão à caça da besta, Valerie recorre à Avó em busca de ajuda; ela dá à neta uma capa vermelha feita à mão e a orienta através da rede de mentiras, intrigas e decepções que vem controlando o vilarejo por muito tempo. Descobrirá Valerie o culpado por trás do lobo antes que toda a aldeia seja exterminada? A Garota da Capa Vermelha é uma nova e arrepiante versão do clássico conto. Nela, o final feliz poderá ser difícil de ser encontrado.

#2Ahmnat – Os amores da Morte, Julien De Lucca

Este ano tentei ler o máximo que pude de literatura nacional, principalmente de pequenas editoras e de novos autores. Ahmnat é um livro extremamente chato, com uma narrativa que não se decide e você lê quase 400 páginas e pode descartar metade delas.
Bom, o autor promete um segundo volume.

O que pode acontecer quando Morte e Destino brincam com o sentimento mais perigoso? Ahmnat é uma garota egípcia que, após uma vida cheia de turbulências, tristezas e mágoas, assume o cargo de Morte e passa a viver entre este mundo e o além-vida. Porém ela não está sozinha. Logo conhece Destino, responsável por escrever as vidas mortais, que fica surpreso e abismado ao vê-la no lugar de poderosa entidade. Destino propõe, então, um sádico jogo a Ahmnat: criará dez vidas mortais, humanos bem especiais, para tentar fazê-la se apaixonar por eles. Se Ahmnat se apaixonar por qualquer um, ela volta para a Terra como mortal novamente, dando a oportunidade de Destino reescrever sua vida. Caso contrário, será Destino quem se tornará mortal, permitindo que Morte venha buscá-lo pessoalmente.




#1 – A Promessa, Richard Paul Evans

Romance “água com açúcar” que agradeço muito por sua leitura ter durado somente um dia. Não vou nem falar muita coisa, é a história de sempre: Traição, separação, novo amor e uma baita confusão do autor.

Ela havia perdido todas as esperanças e encontrou um homem que cumpre suas promessas... Beth Cardall tem um segredo. Durante dezoito anos, ela não teve escolha senão guardá-lo para si, mas, na véspera do Natal de 2008, tudo isso está prestes a mudar. Para Beth, 1989 foi um ano marcado pela tragédia. Sua vida estava desmoronando: sua filha de seis anos, Charlotte, sofria de uma doença misteriosa; seu casamento transformou-se de uma relação aparentemente feliz e carinhosa em algo repleto de traição e sofrimento; seu trabalho estava por um fio e ela perdera totalmente a capacidade para confiar, ter esperanças e acreditar em si mesma. Até que, um dia extremamente frio, após atravessar uma nevasca até a loja de conveniência mais próxima, Beth encontra Matthew, um homem misterioso e encantador, que mudaria de uma só vez o curso de sua vida.


É isso aí, pessoal, deixem seus comentários e suas opiniões. 

Até mais.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Compre Aqui - Química de Nós, Afonso Celso Henriques


Sinopse: 

“Química de Nós” é uma coletânea composta de 27 poemas escritos por Afonso Celso Henriques. Com um lirismo, ao mesmo tempo visceral e saudosista, o poeta relembra sua infância povoada de imagens afetivas e religiosidade nas cidades de Capela Nova e Congonhas. A temática do Amor é presença fundamental no livro, sobretudo nas duas partes finais da obra: “Alma em Deserto” e “Química de Nós”. Perpassa a obra as figuras da poetisa Florbela Espanca e da escultora Camille Claudel, que representam influência artística para o autor. O livro “Química de Nós” tem 78 páginas e foi editado pela Lesma Editores com prefácio de Wagner Vieira, projeto gráfico de Osmir Camilo e diagramação de Marco Aurélio Lopes Correia. “Química de Nós” foi lançado oficialmente em Congonhas no dia 25 de abril dentro da programação do Abril Poético, mas outros lançamentos estão previstos, nas cidades de Conselheiro Lafaiete e Capela Nova, terra natal do autor.

Para adquirir um exemplar é só entrar em contato pelo e-mail:
renansouzamerces@rocketmail.com

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Dica de Leitura - Dragões de Éter - Caçadores de Bruxas


Para os amantes de uma boa fantasia, Dragões de Éter é uma série de leitura indispensável. Li, recentemente o primeiro volume “Caçadores de Bruxas” e entre minhas opiniões achei simplesmente brilhante.

Nova Ether é um mundo protegido por poderosos avatares em forma de fadas-amazonas. Um dia, porém, cansadas das falhas dos seres racionais, algumas delas se voltam contra as antigas raças. E assim nasce a Era Antiga.

Confira:


Essa influência e esse temor sobre a humanidade só têm fim quando Primo Branford, o filho de um moleiro, reúne o que são hoje os heróis mais conhecidos do mundo e lidera a histórica e violenta Caçada de Bruxas.
Primo Branford é hoje o Rei de Arzallum, e por 20 anos saboreia, satisfeito, a paz. Nos últimos anos, entretanto, coisas estranhas começam a acontecer...
Uma menina vê a própria avó ser devorada por um lobo marcado com magia negra. Dois irmãos comem estilhaços de vidro como se fossem passas silvestres e bebem água barrenta como se fossem suco, envolvidos pela magia escura de uma antiga bruxa canibal. O navio do mercenário mais sanguinário do mundo, o mesmo que acreditavam já estar morto e esquecido, retorna dos mares com um obscuro e ainda pior sucessor. E duas sociedades criminosas entram em guerra, dando início a uma intriga que irá mexer em profundos e tristes mistérios da família real.
E mudará o mundo.

Esta nova edição da editora LeYa, traz algumas novidades como o prefácio de Pascoal Soto e um conto de Draccon.

Leia a opinião dos leitores:

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Autor da Semana - Raphael Draccon


E o Autor da Semana é...

Raphael Draccon...

Confira resenha de Espíritos de Gelo: Aqui. 

Draccon é romancista e roteirista premiado pela American Screenwriter Association. Dragões de Éter nasceu inspirado nas sombrias histórias de fantasia que marcaram sua infância, como a lendária Caverna do Dragão. Atualmente, trabalha com produtores nacionais e estrangeiros no desenvolvimento de roteiros cinematográficos e em universo de suas séries literárias.

Entre os autores nacionais de sucesso na literatura fantástica, Draccon traz uma linguagem leve em um universo inédito, conquistando milhares de fãs no Brasil. O livro recentemente ganhou uma edição em Portugal.

Para mais informações sobre o autor, confira:


quarta-feira, 17 de outubro de 2012

O Tempo, O Vento e a História por Cris Aragão


O Tempo e o Vento - 4 volumes



- O Continente
- O Retrato
- O Arquipélago I
- O Arquipélago II

"Era uma noite fria de lua cheia. As estrelas cintilavam sobre a cidade de Santa Fé, que de tão quieta e deserta parecia um cemitério abandonado. Era tanto o silêncio e tão leve o ar, que se alguém aguçasse o ouvido talvez pudesse até escutar o serno na solidão."

Assim começa a narrativa que conta a saga da família Terra, pequenos estancieiros do Rio Grande do Sul, até se transformar numa das famílias mais influentes da cidade de Santa Fé, a família Terra Cambará. Ao mesmo tempo temos a história do próprio estado sulista, desde Os Sete Povos das Missões, aldeamentos fundados pelos Padres Jesuitas e localizados em área originalmente pertencente à Coroa Espanhola até a época do Estado Novo; passando pela Guerra do Paraguai, pela Revolução Farroupilha e pela influência dos imigrantes europeus na região.

As figuras femininas são particurlarmente fortes nessa trajetória. Ana Terra, Bibiana e Maria Valéria cuidam da casa e das crianças, mantendo a família em segurança enquanto os homens fazem a guerra e se envolvem em disputas políticas, afinal trata-se de uma região de fronteira e com o país ainda em formação.

Érico Veríssimo é um autor sóbrio com um estilo narrativo fluente e agradável, ele constrói uma histórica lírica e heróica. Em meio a batalhas e entreveros, disputas políticas, idealismo, paixões, encontros e desencontros, traça um painel da história da Região Sul do Brasil, com seus hábitos e sua cultura própria.
 
"'Sempre que me acontece alguma coisa importante está ventando' - costumava dizer Ana Terra. Mas entre todos os dias ventosos de sua vida, um lhe ficara para sempre na memória, pois o que sucedera nele tivera força de mudar-lhe a sorte por completo. (...) Ana Terra era capaz de jurar que aquilo acontecera na primavera, porque o vento andava bem doido, empurrando grandes nuvens brancas no céu, os pessegueiros estavam floridos e as árvores que o inverno desira, se enchiam outra vez de brotos verdes."

Essa é uma das minhas passagens preferidas do livro e ao longo de toda a narrativa o vento é citado, pontuando os momentos mais significativos e importantes da narrativa.

Érico Veríssimo não glorifica os comportamentos tipicamente associados ao gaúcho, tais como o machismo exacerbado, é antes de tudo um crítico dessa identidade mas abraça o ideal gauchesco do destemor e da luta pela liberdade. 

Autoria de Cris Aragão.