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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Um Autor para 2014 - Os Leitores




Durante o ano de 2014 o blog “A Odisseia de um Leitor” acompanhará sete leitores que lerão a obra completa de um autor. O desafio “Um Autor para 2014” conta com o desbravar de grandes nomes da literatura mundial.

Conheça os participantes e seus autores.


Renan Souza Merces (R.S.Merces) um verdadeiro sem tempo que entre uma leitura e outra inventa mais um projeto. Trabalha numa biblioteca, estuda Letras e caça bons filmes. Em 2014 dedicará algumas horas à maluca Virgínia Woolf.


Virgínia Dela Sávia Brasil (Virgínia Brasil) é uma maníaca que, se vê um livro com alguém, não descansa até descobrir o título. Cursa Letras para controlar o vício. Embarcará, este ano, no fantástico mundo de Franz Kafka com muita sede e coragem.


Literatura é mito .Teatro é um porre. Não tenho paciência pra poesia. Porém, aconselhado pelo venenoso Iago, resolvi conciliar as famílias Arte e Vida, dentro do meu regicídio, e ler a obra shakespeariana. Descobrir, entre uma peça e outra, que Shakespeare não importa. Apenas sua linguagem, indomada! Sê-la ou não ser? Eis o chavão... a ser banido (Vinícius Mahier, estudante de Letras).


Shely Adna, estudante de letras. Leio não somente para passar o tempo ou tirar os pés do chão da realidade rotineira, mas para alimentar minha alma... Incentivada pelo desafio proposto, pretendo finalmente terminar a leitura realista e romântica da magnifica obra deixada pelo carioca Machado de Assis.


No início achei o "desafio" interessante (ainda acho)... Até entender a profundidade e ficar com medo. Mas, aqui estou, aluna de Letras que ama ler, mas tem receio em escrever. Taimara
Obs. Irei "comentar" a incrível obra de Agatha Christie.


Taynara Cruz, estudante das magníficas Letras. Chegar ao final de um livro, realmente intrigante, sempre despertou em mim curiosidade pela trajetória do autor. Este desafio pode ser uma realização pessoal de uma leitora que se dedicará à incrível obra de Gabriel García Márquez.



Lilian Farias nasceu em 1985, é formada em Letras/Português pela UPE- Universidade de Pernambuco. Dá aula e ama escrever poesias. Autora do romance “O céu é logo ali” e blogueira. "Amo escrever sobre aquilo que incomoda, não tenho medo do preconceito!" Trabalha no movimento Social. Lilian vai ler Eduardo Galeano. 

Fique por dentro de todas as novidades do desafio, siga nossa Tag: Um autor para 2014

domingo, 26 de janeiro de 2014

Talvez o amor escape




Por R.S.Merces

“Não havíamos percebido que aquilo que o público realmente abomina na homossexualidade não é a coisa em si, mas o fato de ser obrigado a pensar nela.”, assim escreve E. M. Forster nas notas finais de seu romance, “Maurice”. A frase vem seguida de “Maurice talvez escape”.

O livro escrito estre os anos de 1913 e 1914 permaneceu guardado até sua publicação em 1971. O tema homossexualidade era ainda restrito na literatura e podemos apontar o início do modernismo como grande difusor de um novo pensamento sobre o homem. Publicações como “O quarto de Jacob” de Virginia Woolf e “Ulysses” de James Joyce, apresentam o amor de um jovem por seu amigo e uma androginia masculina, respectivamente. Contudo somente depois dos anos 60, movimentos de grupos homossexuais possibilitam a leitura do amor não estereotipado de Forster.

Maurice é um homem “comum”, “desajeitado”, sem nenhuma caracterização, o que o deixa até mesmo desorientado no reconhecimento de seu amor por Clive, um intelectual que busca nos conhecimentos gregos sua identidade. Contrariando a tradição, existe aqui um final feliz, o que torna o enredo quase impossível à sociedade tradicional da época em que foi escrito.

Se o século XX trouxe um grande avanço quanto ao reconhecimento do amor de um homem por outro homem, infelizmente somos, diariamente, confortados por pensamentos arcaicos principalmente por ideologias religiosas. As palavras de Forster escritas em setembro de 1960 são tão atuais quanto seu romance.

Acompanhamos nos últimos dias as agressões virtuais sofridas pela escritora Lilian Farias na divulgação de seu novo romance “Mulheres que não sabem chorar”. Por enquanto só tivemos a publicação da sinopse do livro e de seu referido tema, a homossexualidade feminina. Contudo as poucas palavras já causaram desconforto na internet e a autora tem recebido mensagens de ódio e comentários ofensivos tanto ao texto quanto à sua vida pessoal.

É comum que escritores sejam constantemente confundidos com suas narrativas, criando neles a personificação da verdade falha no texto. Esses limites, não reconhecíveis, no trabalho de Lilian Farias demonstra o quanto ainda vivemos em uma sociedade que não quer pensar na possibilidade de um verdadeiro amor entre pessoas do mesmo sexo.

As redes sociais hoje em sua grande abrangência de usuários comportam infinitas representações de ideologias marcantes do século XXI. E é essa liberdade que torna esse livro possível mesmo com as diversas denúncias contra a página de divulgação.

“Mulheres que não sabem chorar” não ficará guardado em uma gaveta por 56 anos e ainda esse ano os leitores poderão conferir o romance dessas duas “ainda misteriosas” personagens.

E aos preconceituosos de plantão, lembrem-se de que ninguém precisa de salvação, precisamos é de A.M.O.R. Lembrem-se de que a resistência criou a guerra e a guerra dizimou milhões de pessoas. Lembrem-se de que não são obrigados a ler nada que não quiserem ler. Lembrem-se de que somos humanos, somente ISSO.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A vida sexual e afetiva de Virginia Woolf




As desajeitadas investidas sexuais de seu meio-irmão mais velho, George Duckworth, que também tentou a mesma tática com sua irmã Vanessa, podem ter se constituído nos motivos que afastaram Virginia Woolf de sexo. Essas investidas também podem ser a razão pela qual ela aceitou a princípio, a proposta de casamento de Lytton Strachey. Depois, ambos pensaram melhor no assunto, “momento embaraçoso” e “repulsivo”, segundo palavras que Strachey usou para descrever o episódio e eles se separaram. Foi, provavelmente, uma sábia decisão, embora eles pudessem ter formado um par ideal, dadas as conhecidas preferências sexuais de Strachey e a frigidez de Virginia. Se tivessem se casado teriam formado, certamente, o par literário da época. Strachey escreveu a seu amigo Leonardo Woolf, sugerindo que ele voltasse do Ceilão e se casse com Virginia, o que ele acabou fazendo. O casamento com Leonardo aparentemente melhorou sua já delicada saúde, particularmente sua saúde mental, que se deteriorou de tal forma que ela sofreu diversos colapsos nervosos, que culminaram numa tentativa de suicídio um ano após o casamento. Virginia também se sentia atraída por mulheres fortes, difíceis, que davam a impressão de ambivalência, embora seus sentimentos não fossem correspondidos. Antes de seu casamento houve Violet Dickinson; depois, Katherine Mansfield e, em seguida, Vita Sackville West. Foi com a safista Vita que Virginia teve seu caso mais apaixonado e seus sentimentos correspondidos, começando com Vita fascinada e terminando com Virginia abandonada. O personagem Orlando, do livro de Virginia que tem o mesmo nome e que troca de sexo, é baseado em Vita SackvilleWest e, ironicamente, foi este livro, escrito às pressas, numa disposição mais alegre que a habitual, que acabou por se tornar seu primeiro sucesso. A próxima dame formidable  foi a compositora anciã e surda Ethel Smyth, mas, neste último caso, não houve envolvimento físico, embora existisse paixão. A volta dos sintomas que Virginia sabia que pressagiavam a loucura foi outro convite ao suicídio, desta vez, bem-sucedido.

ABELSON, Edward. A vida sexual e afetiva dos gênios. Tradução de Marli Berg. Rio de Janeiro : Record : Rosa dos Tempos, 1995. P. 129 - 130.     

Lytton Strachey e Virginia Woolf




Uma nova edição de “Orlando” tem lançamento previsto para 30 de janeiro de 2014 pela Companhia das Letras no selo Penguin. O responsável pela tradução foi o Jorio Dauster.


A edição inclui, também, introdução e notas de Sandra Gilbert, especialista em estudos de gênero e literatura inglesa, e uma brilhante crônica-ensaio de Paulo Mendes Campos, um dos grandes leitores brasileiros da obra de Virginia Woolf.


quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Uma conversa com Francine Ramos sobre Virginia Woolf




“A Virginia Woolf me impressiona, simples assim. Eu acho de extrema importância tudo o que ela escreve, desde o estilo literário ao tema de suas obras, tudo é, para mim, de pura beleza.”


Francine Ramos é uma leitora apaixonada pela obra da Virginia Woolf e se você tiver dúvida disso é só visitar o blog dela “Livro & Café”. Formada em letras, ela conversou com Odisseia e contou um pouco sobre suas experiências na obra da escritora inglesa grande nome do modernismo.


(A Odisseia...) Como você descobriu a obra de Virginia Woolf?
Acredito que faz mais de 10 anos. Eu estava no 1º ano de Ciências Contábeis e a professora de Sociologia pediu para fazermos uma pesquisa na biblioteca. Infelizmente eu não lembro em qual livro foi, mas havia uma frase lá, logo nas primeiras páginas do livro, da Virginia Woolf, até então desconhecida para mim, e eu fiquei profundamente maravilhada com a frase, lembro que era algo sobre a sociedade, desconfio que era alguma frase do livro “Profissões para mulheres e outros artigos feministas” ou “O leitor comum”. Um dia lembrarei dessa frase. Já até pensei em voltar na biblioteca e pedir os registros antigos, ver se encontro a minha ficha, para saber qual foi o livro que me salvou. Porque se leio tanto hoje, é tudo culpa da Virginia Woolf. rs

(A Odisseia...) Depois de ler o primeiro livro o que te incentivou a continuar a ler as obras da autora?
Eu comecei lendo os contos, alguns pela internet mesmo, mas lembro que fiquei maravilhada com “A marca na parede”, que está no livro Contos Completos, da editora CosacNaify. A Virginia Woolf me impressiona, simples assim. Eu acho de extrema importância tudo o que ela escreve, desde o estilo literário ao tema de suas obras, tudo é, para mim, de pura beleza. E também o aprendizado que ela me traz. Eu brinco com os meus amigos que ela é minha santa! Santa Vivi, mas só para os íntimos! rs

(A Odisseia...) Qual o seu título favorito? Por quê?
Se você me perguntasse há dois anos atrás, eu responderia Orlando, pois adoro o clima que Virginia imprimiu no livro, um ar leve, descontraído, que sempre me agradou, com uma história surpreendente. E também por fugir do estereótipo de que ela era depressiva, e triste. (Quem estuda a obra dela sabe o quanto ela era bem humorada e feliz). Mas hoje, o livro que está no meu coração é Mrs. Dalloway, pois foi um livro que demorei para entender, mas na terceira leitura, com a edição que a Editora Autêntica lançou, a história fluiu perfeitamente para mim, a tradução do Tomaz Tadeu está um primor! E por isso foi possível entender a obra. Mrs Dalloway é a história de uma mulher, apenas um dia da vida dela, mas também é a história do mundo todo; de todos os dias; de como a vida é bela, mágica e trágica.

(A Odisseia...) Você lê autores que foram influência ou influenciados por Virginia Woolf? Quais?
Eu preciso ler Shakespeare! Eu li algumas peças deles quando eu era adolescente, mas preciso reler, pois ele era o escritor que ela mais admirava, sem dúvida. Há uma frase dela assim “tenho pena dos pobres que não leem Shakespeare”. Virginia Woolf tem pena de mim, mas vou consertar isso!

(A Odisseia...) Qual a influência da Virginia Woolf na sua vida?
Total. Ela, de verdade, me fez ter coragem para mudar muitas coisas em minha vida, questões profissionais e pessoais.

(A Odisseia...) Para o leitor que pretende começar a ler Virginia Woolf, qual seria sua indicação?
Virginia Woolf é uma escritora difícil, sempre digo, mas isso não faz dela chata, tampouco careta. Eu digo difícil por experiência própria. Lembro que, assim que comecei a ler os livros dela, peguei As Ondas e, claro, não entendi bulhufas! Aquilo era demais pra mim. Eu lia, lia, voltava para primeira página, lia, lia, e voltava tudo de novo... eu achava cada frase linda, perfeita, mas minha mente não as processavam como um todo, como um romance.
Abandonei As Ondas e comecei a ler Noite e Dia, o segundo romance dela, aí sim consegui terminar e foi uma leitura deliciosa!
O que acontece é: Virginia Woolf, quando começou a escrever, estava presa aos pedidos da editora, ao molde da época do que era considerado um bom romance, ou seja, a estrutura de suas histórias eram como os clássicos (Jane Austen, por exemplo). Então, para quem está começando e não está acostumado com o fluxo de consciência, a técnica que ela usou, que funciona como se o narrador estivesse navegando pela mente dos personagens o tempo todo, é bom pegar os romances com essa estrutura mais tradicional: Noite e Dia, A Viagem, Flush, Orlando... E também ler os contos, os ensaios... Depois é partir para O quarto de Jacob (o primeiro que ela escreveu sem se preocupar com a editora, pois ela e o marido compraram uma, e onde já se pode ver a técnica do fluxo de consciência) Mrs Dalloway, Ao Farol, As Ondas, etc.

(A Odisseia...) Se pudesse resumir a obra de Woolf em uma palavra, qual seria?

Perfeição.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Minha coleção Virginia Woolf




A primeira vez que vi e li o nome “Virginia Woolf” foi no prefácio de Ronald Polito para “Maurice” de E.M.Forster. A obra em destaque era “O quarto de Jacob”, considerado primeiro romance livre da autora e que é publicado no mesmo ano de “Ulysses” de James Joyce. A citação de Polito no prefácio fazia referência ao tema em comum, homossexualidade, das obras.

Depois da leitura de “Maurice”, escrito em técnicas tradicionais de romance, não foi fácil encarar o fluxo de consciência de Woolf. “O quarto de Jacob” foi uma leitura rápida e logo após passei a me interessar pela vida da autora. Li seus textos críticos publicados em “Profissões para mulheres e outros artigos feministas” e artigos na internet sobre vida e obra.

Ao lado de seis amigos, esse ano, participo do Desafio “Um Autor para 2014” e minha autora escolhida foi, claro, Virginia Woolf. Já comecei a embarcar, literalmente, na obra e como método de leitura pretendo lê-la em ordem de publicação. Ainda estou em “A viagem”, um romance belíssimo que tem como cenário um lugar paradisíaco na América.

Na semana em homenagem a Virginia, venho mostrar minha, ainda pequena, coleção de livros.

Quando decidi que queria ler “O quarto de Jacob”, influenciado por Polito e “Maurice”, comprei o box da Editora Novo Século. A edição trabalha com três fases da autora: Os primeiros escritos, presa às narrativas tradicionais; O modernismo, seus textos marcados pelas influências modernas; e seus últimos escritos.



Os livros chegam ao Brasil com uma bela edição e excelentes traduções. Os responsáveis pelas traduções são Lya Luft e Raul de Sá Barbosa. As fotografias da autora empreendem um charme a mais.



Títulos do box:
  • A viagem;
  • Noite e Dia;
  • O quarto de Jacob;
  • As ondas;
  • Os anos;
  • Entre os atos;




Os outros livros que eu tenho são edições pocket de parceria entre a Nova Fronteira e a Saraiva de Bolso. As traduções são de Mário Quintana para “Mrs. Dalloway” e Laura Alves para “Orlando”. Ambas edições apresentam uma caricatura da autora na capa, marca de toda a coleção Saraiva de Bolso.

“Ao farol: To the Lighthouse” foi uma compra ocasional na livraria Fnac. A edição bilíngue da editora LandMark tem tradução de Doris Goettems e uma capa nada elegante (risos). Talvez eu nem leia nessa edição, pois a Autêntica tem se dedicado a novas traduções e hoje planeja uma futura coleção da autora.

“Profissões para mulheres e outros artigos feministas” eu tenho na edição da L&PM Pocket com tradução de Denise Bottmann. Provavelmente é um título que eu vou reler para o desafio do blog.


E, então, você já conhecia a autora? Acompanhem nossa semana em homenagem a Virginia Woolf.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

[Especial] - Semana Virginia Woolf



Em 25 de janeiro de 1882 nascia na cidade de Londres, Virginia Woolf. Filha do escritor e historiador Sir Leslie Stephen e Julia Prinsep, se tornou uma das principais figuras do modernismo. Ela tinha três irmãs e outros tantos meio-irmãos.

Durante essa semana que precede o dia 25, o blog apresenta postagens em homenagem à autora.


Acompanhe e conheça um pouco mais sobre vida e obra de Virginia Woolf. 

domingo, 29 de julho de 2012

Resenha/ Promoção – Profissões para mulheres e outros artigos feministas



Título: Profissões para mulheres e outros artigos feministas

Autor: Virginia Woolf

Editora: LPM

Ano: 2012

Páginas: 106


Resenha:

Para os leitores que acompanharam não faz muito tempo que publiquei uma série de postagens referentes à escritora inglesa Virginia Woolf e caso você ainda não tenha lido, confira Aqui. Desde então procuro sempre por informações a respeito dessa mulher a frente de sua época. Na última quinta-feira passei a tarde lendo um artigo publicado na revista Conhecimento Prático Literatura cujo título “O diálogo entre as artes em Virgínia Woolf” chamou-me muito a atenção. Das conclusões tiradas desse artigo fica o meu deslumbrado pela vida de Woolf. Lembro-me de ter rido quando descreveram o receio dela para com o que a sociedade acharia de Jacob (O Quarto de Jacob, 1922). Logo após a recepção positiva do romance, Virginia escreve: “As críticas agora são favoráveis e absolutamente contraditórias, como é costume. Agora sou perfeitamente capaz de escrever sem me preocupar com a impressão que posso causar; e por isto se vê que meu burburinho já passou. Mas no fim das contas estou perfeitamente satisfeita mais, acho eu, do que nunca.” Isso só demostra o quão poderia estar temerosa ao escrever um romance livre.

Para completar essa semana, ontem chegou uma encomenda  que havia feito do lançamento da editora LPM que traz uma edição de ensaios e resenhas de Woolf. Profissões para mulheres e outros artigos feministas é composto de sete textos da autora, onde ela defende e argumenta sobre a figura feminina em seus diversos segmentos. Usando Jane Austen, Charlote Brontë, George Eliot (Marian Evans, nome verdadeiro) entre outras escritoras e vezes a si mesmo, Virginia questiona o papel da mulher na sociedade e como esse vem sendo modificado, sacrificando a visão tradicional do “anjo de lar”, como ela mesmo define.

No primeiro ensaio do livro, Profissões para mulheres, Virginia nos conta de forma muito particular um pouco de sua vida como romancista e o ingressar nas resenhas, o que acredito ser da necessidade de muitos bloguerios lerem, já que trata de imparcialidade.

O texto é de leitura fácil e na edição encontramos um rodapé com as referências dos autores citados e também um cabeçalho com as datas e como sucederam as publicações desses ensaios.

Profissões para mulheres e outros artigos feministas nos mostra a importância que Virginia Woolf representa no estudo da literatura. Deixo a indicação àqueles que já conhecem o trabalho da autora e para quem ainda não leu nada é uma boa opção para serem apresentados ao universo dessa mulher.

“Uma das escritoras mais sutis, originais e a mais moderna entre os modernistas, Virginia Woolf já nasceu uma escritora.” The New York Times

Agora chega a melhor parte da postagem. Não poderia falar tanto assim do livro e não presenteá-los. Vou deixar logo abaixo uma promoção valendo um exemplar de “Profissões para mulheres e outros artigos feministas”.



Então, vamos participar?

As regras para o sorteio são as seguintes (e muito fáceis):

Seguir publicamente o blog pelo Google Friend Connect;

Seguir o meu Twitter, @RSMerces;

E twittar a frase:

Eu quero “Profissões para mulheres e outros artigos feministas” de Virginia Woolf que o @RSMerces está sorteando. http://kingo.to/19C1

O sorteio será realizado pelo Sortei.me.


A promoção vai até 01/09/2012.

É só isso e vocês já pode ser o sortudo a levar esses peculiares fragmentos de Virginia Woolf.

Quem quiser pode deixar seu comentário logo abaixo, pois esse será lido com muito entusiasmo.
Boa sorte

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Maurice vs. O Quarto de Jacob – Um paralelo entre a obra de Forster e Woolf



"Quando o amor se vai, é lembrado não como amor, mas como algo diferente."
E.M.Forster


Antes de qualquer coisa gostaria de esclarecer o porquê de estar criando um paralelo entre os mundos de Woolf e Forster. Nada posso provar sobre o conhecimento de Virginia a respeito da obra Maurice, pois esta ficou quase meio século guardada por causa do conservadorismo da sociedade na época. Entretanto focos da narrativa chamaram-me a atenção durante a leitura e apresento a vocês agora.
     
Forster começou a escrever sua obra em 1913 e a terminou em 1914, dedicando-a a um ano mais feliz. Enquanto Woolf iniciaria O Quarto de Jacob em 1920, o publicando em 27 de Outubro de 1922. Porém ambas trazem traços muito recorrentes. Em primeiro lugar devemos destacar a homossexualidade das personagens. Em Maurice o assunto é tratado de uma forma mais explícita, no romance de Maurice e Clive. Isso talvez explique o porquê do editor de Forster achar melhor não publicar a obra, fato que só veio a acontecer depois de sua morte. O autor atribui o arquivamento ao seu otimismo para com a sua personagem principal, “Maurice talvez escape.” Ao contrário percebemos a sexualidade de Jacob muito raramente em passagens da narrativa ou em observações enfatizadas por personagens secundários.
     
Entre estes existe Cambridge, símbolo de conhecimento dos ingleses da época e tanto Maurice quanto Jacob frequentam aulas no campus, criando ali muitas de suas concepções de vida. Os autores também privam seus personagens da presença paterna, possuindo em suas mães fonte de inspiração. (Ainda pretendo ler mais obras com esse assunto para avaliar se sempre a presença paterna é vista como um trauma para personagens contrariados em suas sexualidades.)
     

"Uma paixão completamente centrada em si recusa o resto do mundo tal como a água límpida e calma filtra todas as matérias estranhas." 
Virginia Woolf



Um ponto que não posso deixar de notar é a forte presença dos gregos e suas filosofias. Forster cria Clive como um admirador dos gregos e quando este viaja para a Grécia pretende ali encontrar explicações, entretanto apaixona profundamente por uma mulher, para a decepção de Maurice que vê o final do relacionamento se consolidando. Jacob também viaja para o país, contrariando o amigo Bonamy, e tem uma breve passagem com uma mulher.
     
O que difere aos autores são os destinos atribuídos às personagens. Forster acredita profundamente em Maurice e lhe dá um final feliz, deixando que talvez ele escapasse da sociedade um tanto restrita na época à homossexualidade. É preciso denotar que E.M.Forster era homossexual, uma explicação para sua personagem. Quanto a Woolf, ela escreveu o romance ao irmão que havia morrido de tifo e eles participavam das reuniões do grupo Bloomsbury, cujas relações entre membros eram muitas vezes liberais.
     
Infiro, então, que ambos os autores se libertaram das amarras para escrever romances belíssimos de serem lidos. Tanto Maurice quanto Jacob dizem que o amor acima de qualquer sentimento será mais forte que as ditaduras impostas por nossa sociedade.


     Por fim, gostaria de recomendar a todos os dois romances e aqui no blog tem resenha de ambos para quem quiser conhecer mais da história.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Filme - As Horas

Sinopse:
Uma fusão no tempo provocada por uma obra literária alcança um dia e modifica a vida de três mulheres em três lugares diferentes. A primeira é Virginia Woolf, escritora do romance Mrs. Dalloway, que se debate contra a insanidade enquanto é absorvida pelo livro que ainda está escrevendo nos anos 20. Nos anos 50, a dona de casa, Laura Brown, é influenciada pelo romance que lê e passa a refletir sobre a vida que leva. Clarissa Vaughan é a Sra. Dalloway dos dias atuais, apaixonada pelo amigo Richard, um poeta que está morrendo de Aids.
Diretor
O filme foi dirigido por Stephen Daldry que é diretor de filmes como Billy Elliot, com três indicações ao Oscar, 12 indicações ao Bafta entre outras indicações. As Horas é o seu segundo trabalho.
Elenco
No papel de Clarissa Vaughan temos a atriz Meryl Streep. Em 2003 venceu o Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante por seu trabalho em Adaptação e recebeu ainda uma indicação de Melhor Atriz por sua interpretação em As Horas.
Jullianne Moore interpreta a dona de casa dos anos 50, Laura Brown, o que lhe rendeu uma indicação ao Oscar.
Interpretando a escritora Virginia Woolf temos a atriz Nicole Kidman que foi vencedora do Globo de Ouro de Melhor Atriz na categoria Drama e do Oscar por seu trabalho em As Horas.
Resenha
Para os muitos que são avessos a adaptações de livros para o cinema, devo destacar que Stephen Daldry fez um excelente trabalho. No que diz respeito às três épocas distintas do filme, ele mescla as histórias no ponto certo e deixa que o telespectador viva os conflitos internos das personagens principais, sem parecer confuso ou até mesmo contraditório.   
As interpretações das atrizes tornam o filme ainda melhor. Kidman como dito anteriormente levou o Oscar por sua atuação como Virginia Woolf. No mais é imprescindível para quem gosta de um bom filme.
Mas ainda falando sobre o filme e chegando à parte que mais me levou a locá-lo, a breve biografia de Virginia Woolf retratada. Daldry mostra a vida da autora já mergulhada na loucura, juntamente com sua forma de escrever e seus conflitos diante de sua narrativa. Logo no início, temos uma cena abordando o suicídio de Woolf de uma forma a demonstrar como uma atitude de coragem, o que realmente acredito ter acontecido. Claro, que para aqueles que queriam mais da vida de Virginia vão ficar decepcionados, entretanto se você encontrar a versão em DVD terá o deslumbre de um documentário com a presença de estudiosos da autora assim como dois de seus sobrinhos.
Não falei muito sobre o romance Mrs. Dalloway por ainda ter tido a oportunidade de lê-lo, mas em breve poderei tirar minhas conclusões quanto ao retratado no filme.



Boa sessão.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Resenha - O Quarto de Jacob


“Escrever é que é o verdadeiro prazer; ser lido é um prazer superficial.”
                                                                                                                                         Virginia Woolf

Título original: Jacob's room

Autor: Virginia Woolf

Tradução: Lya Luft

Editora: Novo Século

Ano: 2008

Páginas: 239


Quando acabei de ler O Quarto de Jacob confesso que fiquei meio perdido em fazer uma resenha. Primeiro pelo fato de ainda, até aquele momento, não ter lido nada de Virginia Woolf, o que me restringe a avaliá-lo quanto aos demais. Segundo por estar assimilando meu deslumbramento pela narrativa.

O Quarto de Jacob como muito recorrente é conhecido como o primeiro romance livre de Virginia Woolf. Quando ela deixaria de publicar pela editora do meio-irmão e passaria a editar seus livros na editora criada por ela na companhia do marido, Leonardo Woolf.

“Acho que [O Quarto de] Jacob foi para mim um passo decisivo para trabalhar em liberdade”, Virginia Woolf escreveu em seu diário, sábado 14 de Outubro de 1922.

Então, Woolf afasta-se do conservadorismo para criar uma história magnífica, com cenários descritos de uma forma singular a levar o leitor para as profundezas do silêncio da personagem principal.

O livro resume a vida de Jacob, com seus amores e suas opiniões sobre o mundo a sua volta. Entretanto conseguimos perceber e definir uma personalidade para ele diante da visão daqueles que o rodeiam. Encontramos um jovem apaixonado pela literatura inglesa e muitas vezes contrariado em relação às mulheres.

Como dito anteriormente, a perfeição de Virginia para descrever os cenários torna a narrativa a cada passo de Jacob viva e emocionante. A leitura e imprescindível e com certeza levara o seu leitor para além de um só quarto.

A indicação que me levou até esse romance foi encontrada no prefácio de Ronald Polito para o livro Maurice do escritor E.M.Forster, publicado pela editora de Woolf e uma das inspirações de Virginia na composição de seus romances. Muitos traços são recorrentes a ambos, mas isso é história para outra postagem.


Avaliação final: 5 estrelas.


Sobre a autora:

Nascida em Londres, em 1882, Virginia Woolf tornou-se uma das mais importantes escritoras inglesas, conhecida também por suas resenhas literárias e posições feministas. Influenciada por Proust e Joyce, Virginia superou os limites impostos pela ficção realista, conseguindo integrar à narrativa um simultaneidade de eventos e criando uma nova concepção do tempo narrativo ficcional. Em 1941, após diversas tentativas de suicídio e uma grave crise de depressão, Virginia se afoga no rio Ouse. Deixou vários ensaios, contos, biografias, uma extensa correspondência e romances como A Viagem, Entre os atos, Noite e Dia, As ondas, entre outros.


Cada um tem o seu passado fechado em si, tal como um livro que se conhece de cor, livro de que os amigos apenas levam o título.”
                                                                                                                                Virginia Woolf

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Uma breve biografia de Virginia Woolf

“A vida é como um sonho; é o acordar que nos mata.”
                                                                                                                 Virginia Woolf

Nos últimos dias tenho falado bastante sobre a Virginia Woolf no meu Twitter e como estou deslumbrado com sua capacidade de transformar o mundo literário de quem a lê. Muito próprio então, apresento a vocês um pouquinho sobre ela e no decorrer da semana teremos algumas postagens especiais. Espero que curtam.

Nome completo: Adeline Virginia Woolf
Nascimento: 25 de Janeiro de 1882 em Londres, Inglaterra.
Morte: 28 de Março de 1941 (59 anos)
PrincipaisTrabalhos:  To the Lighthouse, Mrs. Dalloway, Orlando: A Biografia, A Room of One’s Own.

Virginia Woolf foi uma escritora, ensaísta e editora britânica, conhecida como uma das mais proeminentes figuras do modernismo.
Woolf era membro do Grupo de Bloomsbury e desempenhava um papel de significância dentro da sociedade literária londrina durante o período entre guerras. Seus trabalhos mais famosos incluem os romances Mrs.Dalloway (1925), Passeio ao Farol (1927) e Orlando (1928), bem como o livro-ensaio Um Quarto Só Para Si (1929), onde se encontra a famosa citação "Uma mulher deve ter dinheiro e um quarto próprio se ela quiser escrever ficção".

Biografia
Estreou na literatura em 1915 com um romance, The Voyage Out (A viagem, em português), e posteriormente teria realizado uma série de obras notáveis, as quais lhe valeriam o título de "a Proust inglesa". Faleceu em 1941, tendo cometido suicídio.
Virginia Woolf era filha do editor Leslie Stephen, o qual deu-lhe uma educação esmerada, de forma que a jovem teria frequentado desde cedo o mundo literário.
Em 1912, casou-se com Leonard Woolf, com quem funda, em 1917, a Hogarth Press, editora que revelou escritores como Katherine Mansfield e T.S. Eliot. Virginia Woolf apresentava crises depressivas. Em 1941, deixou um bilhete para seu marido, Leonard Woolf, e para a irmã, Vanessa. Neste bilhete, ela se despede das pessoas que mais amara na vida, e comete suicídio.
Virginia Woolf foi integrante do grupo de Bloomsbury, círculo de intelectuais que, após aPrimeira Guerra Mundial, se posicionaria contra as tradições literárias, políticas e sociais da Era Vitoriana. Deste grupo participaram, dentre outros, os escritores Roger Fry e Duncan Grant; os historiadores e economistas Lytton Strachey e John Maynard Keynes; e os críticos Clive Bell e Desmond McCarthy.
A obra de Virginia é classificada como modernista. O fluxo de consciência foi uma de suas marcas mais conhecidas e da qual é considerada uma das criadoras.
Suas reflexões sobre a arte literária - da liberdade de criação ao prazer da leitura - baseadas em obras-primas de Conrad, Defoe, Dostoievski, Jane Austen, Joyce, Montaigne, Tolstoi, Tchekov, Sterne, entre outros clássicos, foram reunidos em dois volumes publicados pela Hogarth Press em 1925 e 1932 sob o título de The Common Reader - O Leitor Comum, homenagem explícita da autora àquele que, livre de qualquer tipo de obrigação, lê para seu próprio desfrute pessoal. Uma seleta destes ensaios, reveladores da busca de Virginia Woolf por uma estética não só do texto mas de sua percepção, foi reunida em língua portuguesa em 2007 pela Graphia Editorial, com tradução de Luciana Viegas.

Suicídio
No dia 28 de Março de 1941, após ter um colapso nervoso Virginia suicidou-se. Ela vestiu um casaco, encheu seus bolsos com pedras e entrou no Rio Ouse, afogando-se. Seu corpo só foi encontrado no dia 18 de abril.
Em seu último bilhete para o marido, Leonardo Woolf, Virginia escreveu:
                Querido,
       Tenho certeza de estar ficando louca novamente. Sinto que não conseguiremos passar por novos tempos difíceis. E não quero revivê-los. Começo a escutar vozes e não consigo me concentrar. Portanto, estou fazendo o que me parece ser o melhor a se fazer. Você me deu muitas possibilidades de ser feliz. Você esteve presente como nenhum outro. Não creio que duas pessoas possam ser felizes convivendo com esta doença terrível. Não posso mais lutar. Sei que estarei tirando um peso de suas costas, pois, sem mim, você poderá trabalhar. E você vai, eu sei. Você vê, não consigo sequer escrever. Nem ler. Enfim, o que quero dizer é que é a você que eu devo toda minha felicidade. Você foi bom para mim, como ninguém poderia ter sido. Eu queria dizer isto - todos sabem. Se alguém pudesse me salvar, este alguém seria você. Tudo se foi para mim mas o que ficará é a certeza da sua bondade, sem igual. Não posso atrapalhar sua vida. Não mais. Não acredito que duas pessoas poderiam ter sido tão felizes quanto nós fomos. V.         
Encontra-se sepultada em Non-Cemetery, Sussex na Inglaterra.


“Escrever é que é o verdadeiro prazer; ser lido é um prazer superficial.”
                                                                                                                             Virginia Woolf


Fonte: Wikipédia