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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A vida sexual e afetiva de Virginia Woolf




As desajeitadas investidas sexuais de seu meio-irmão mais velho, George Duckworth, que também tentou a mesma tática com sua irmã Vanessa, podem ter se constituído nos motivos que afastaram Virginia Woolf de sexo. Essas investidas também podem ser a razão pela qual ela aceitou a princípio, a proposta de casamento de Lytton Strachey. Depois, ambos pensaram melhor no assunto, “momento embaraçoso” e “repulsivo”, segundo palavras que Strachey usou para descrever o episódio e eles se separaram. Foi, provavelmente, uma sábia decisão, embora eles pudessem ter formado um par ideal, dadas as conhecidas preferências sexuais de Strachey e a frigidez de Virginia. Se tivessem se casado teriam formado, certamente, o par literário da época. Strachey escreveu a seu amigo Leonardo Woolf, sugerindo que ele voltasse do Ceilão e se casse com Virginia, o que ele acabou fazendo. O casamento com Leonardo aparentemente melhorou sua já delicada saúde, particularmente sua saúde mental, que se deteriorou de tal forma que ela sofreu diversos colapsos nervosos, que culminaram numa tentativa de suicídio um ano após o casamento. Virginia também se sentia atraída por mulheres fortes, difíceis, que davam a impressão de ambivalência, embora seus sentimentos não fossem correspondidos. Antes de seu casamento houve Violet Dickinson; depois, Katherine Mansfield e, em seguida, Vita Sackville West. Foi com a safista Vita que Virginia teve seu caso mais apaixonado e seus sentimentos correspondidos, começando com Vita fascinada e terminando com Virginia abandonada. O personagem Orlando, do livro de Virginia que tem o mesmo nome e que troca de sexo, é baseado em Vita SackvilleWest e, ironicamente, foi este livro, escrito às pressas, numa disposição mais alegre que a habitual, que acabou por se tornar seu primeiro sucesso. A próxima dame formidable  foi a compositora anciã e surda Ethel Smyth, mas, neste último caso, não houve envolvimento físico, embora existisse paixão. A volta dos sintomas que Virginia sabia que pressagiavam a loucura foi outro convite ao suicídio, desta vez, bem-sucedido.

ABELSON, Edward. A vida sexual e afetiva dos gênios. Tradução de Marli Berg. Rio de Janeiro : Record : Rosa dos Tempos, 1995. P. 129 - 130.     

Lytton Strachey e Virginia Woolf




Uma nova edição de “Orlando” tem lançamento previsto para 30 de janeiro de 2014 pela Companhia das Letras no selo Penguin. O responsável pela tradução foi o Jorio Dauster.


A edição inclui, também, introdução e notas de Sandra Gilbert, especialista em estudos de gênero e literatura inglesa, e uma brilhante crônica-ensaio de Paulo Mendes Campos, um dos grandes leitores brasileiros da obra de Virginia Woolf.


quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Uma conversa com Francine Ramos sobre Virginia Woolf




“A Virginia Woolf me impressiona, simples assim. Eu acho de extrema importância tudo o que ela escreve, desde o estilo literário ao tema de suas obras, tudo é, para mim, de pura beleza.”


Francine Ramos é uma leitora apaixonada pela obra da Virginia Woolf e se você tiver dúvida disso é só visitar o blog dela “Livro & Café”. Formada em letras, ela conversou com Odisseia e contou um pouco sobre suas experiências na obra da escritora inglesa grande nome do modernismo.


(A Odisseia...) Como você descobriu a obra de Virginia Woolf?
Acredito que faz mais de 10 anos. Eu estava no 1º ano de Ciências Contábeis e a professora de Sociologia pediu para fazermos uma pesquisa na biblioteca. Infelizmente eu não lembro em qual livro foi, mas havia uma frase lá, logo nas primeiras páginas do livro, da Virginia Woolf, até então desconhecida para mim, e eu fiquei profundamente maravilhada com a frase, lembro que era algo sobre a sociedade, desconfio que era alguma frase do livro “Profissões para mulheres e outros artigos feministas” ou “O leitor comum”. Um dia lembrarei dessa frase. Já até pensei em voltar na biblioteca e pedir os registros antigos, ver se encontro a minha ficha, para saber qual foi o livro que me salvou. Porque se leio tanto hoje, é tudo culpa da Virginia Woolf. rs

(A Odisseia...) Depois de ler o primeiro livro o que te incentivou a continuar a ler as obras da autora?
Eu comecei lendo os contos, alguns pela internet mesmo, mas lembro que fiquei maravilhada com “A marca na parede”, que está no livro Contos Completos, da editora CosacNaify. A Virginia Woolf me impressiona, simples assim. Eu acho de extrema importância tudo o que ela escreve, desde o estilo literário ao tema de suas obras, tudo é, para mim, de pura beleza. E também o aprendizado que ela me traz. Eu brinco com os meus amigos que ela é minha santa! Santa Vivi, mas só para os íntimos! rs

(A Odisseia...) Qual o seu título favorito? Por quê?
Se você me perguntasse há dois anos atrás, eu responderia Orlando, pois adoro o clima que Virginia imprimiu no livro, um ar leve, descontraído, que sempre me agradou, com uma história surpreendente. E também por fugir do estereótipo de que ela era depressiva, e triste. (Quem estuda a obra dela sabe o quanto ela era bem humorada e feliz). Mas hoje, o livro que está no meu coração é Mrs. Dalloway, pois foi um livro que demorei para entender, mas na terceira leitura, com a edição que a Editora Autêntica lançou, a história fluiu perfeitamente para mim, a tradução do Tomaz Tadeu está um primor! E por isso foi possível entender a obra. Mrs Dalloway é a história de uma mulher, apenas um dia da vida dela, mas também é a história do mundo todo; de todos os dias; de como a vida é bela, mágica e trágica.

(A Odisseia...) Você lê autores que foram influência ou influenciados por Virginia Woolf? Quais?
Eu preciso ler Shakespeare! Eu li algumas peças deles quando eu era adolescente, mas preciso reler, pois ele era o escritor que ela mais admirava, sem dúvida. Há uma frase dela assim “tenho pena dos pobres que não leem Shakespeare”. Virginia Woolf tem pena de mim, mas vou consertar isso!

(A Odisseia...) Qual a influência da Virginia Woolf na sua vida?
Total. Ela, de verdade, me fez ter coragem para mudar muitas coisas em minha vida, questões profissionais e pessoais.

(A Odisseia...) Para o leitor que pretende começar a ler Virginia Woolf, qual seria sua indicação?
Virginia Woolf é uma escritora difícil, sempre digo, mas isso não faz dela chata, tampouco careta. Eu digo difícil por experiência própria. Lembro que, assim que comecei a ler os livros dela, peguei As Ondas e, claro, não entendi bulhufas! Aquilo era demais pra mim. Eu lia, lia, voltava para primeira página, lia, lia, e voltava tudo de novo... eu achava cada frase linda, perfeita, mas minha mente não as processavam como um todo, como um romance.
Abandonei As Ondas e comecei a ler Noite e Dia, o segundo romance dela, aí sim consegui terminar e foi uma leitura deliciosa!
O que acontece é: Virginia Woolf, quando começou a escrever, estava presa aos pedidos da editora, ao molde da época do que era considerado um bom romance, ou seja, a estrutura de suas histórias eram como os clássicos (Jane Austen, por exemplo). Então, para quem está começando e não está acostumado com o fluxo de consciência, a técnica que ela usou, que funciona como se o narrador estivesse navegando pela mente dos personagens o tempo todo, é bom pegar os romances com essa estrutura mais tradicional: Noite e Dia, A Viagem, Flush, Orlando... E também ler os contos, os ensaios... Depois é partir para O quarto de Jacob (o primeiro que ela escreveu sem se preocupar com a editora, pois ela e o marido compraram uma, e onde já se pode ver a técnica do fluxo de consciência) Mrs Dalloway, Ao Farol, As Ondas, etc.

(A Odisseia...) Se pudesse resumir a obra de Woolf em uma palavra, qual seria?

Perfeição.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Minha coleção Virginia Woolf




A primeira vez que vi e li o nome “Virginia Woolf” foi no prefácio de Ronald Polito para “Maurice” de E.M.Forster. A obra em destaque era “O quarto de Jacob”, considerado primeiro romance livre da autora e que é publicado no mesmo ano de “Ulysses” de James Joyce. A citação de Polito no prefácio fazia referência ao tema em comum, homossexualidade, das obras.

Depois da leitura de “Maurice”, escrito em técnicas tradicionais de romance, não foi fácil encarar o fluxo de consciência de Woolf. “O quarto de Jacob” foi uma leitura rápida e logo após passei a me interessar pela vida da autora. Li seus textos críticos publicados em “Profissões para mulheres e outros artigos feministas” e artigos na internet sobre vida e obra.

Ao lado de seis amigos, esse ano, participo do Desafio “Um Autor para 2014” e minha autora escolhida foi, claro, Virginia Woolf. Já comecei a embarcar, literalmente, na obra e como método de leitura pretendo lê-la em ordem de publicação. Ainda estou em “A viagem”, um romance belíssimo que tem como cenário um lugar paradisíaco na América.

Na semana em homenagem a Virginia, venho mostrar minha, ainda pequena, coleção de livros.

Quando decidi que queria ler “O quarto de Jacob”, influenciado por Polito e “Maurice”, comprei o box da Editora Novo Século. A edição trabalha com três fases da autora: Os primeiros escritos, presa às narrativas tradicionais; O modernismo, seus textos marcados pelas influências modernas; e seus últimos escritos.



Os livros chegam ao Brasil com uma bela edição e excelentes traduções. Os responsáveis pelas traduções são Lya Luft e Raul de Sá Barbosa. As fotografias da autora empreendem um charme a mais.



Títulos do box:
  • A viagem;
  • Noite e Dia;
  • O quarto de Jacob;
  • As ondas;
  • Os anos;
  • Entre os atos;




Os outros livros que eu tenho são edições pocket de parceria entre a Nova Fronteira e a Saraiva de Bolso. As traduções são de Mário Quintana para “Mrs. Dalloway” e Laura Alves para “Orlando”. Ambas edições apresentam uma caricatura da autora na capa, marca de toda a coleção Saraiva de Bolso.

“Ao farol: To the Lighthouse” foi uma compra ocasional na livraria Fnac. A edição bilíngue da editora LandMark tem tradução de Doris Goettems e uma capa nada elegante (risos). Talvez eu nem leia nessa edição, pois a Autêntica tem se dedicado a novas traduções e hoje planeja uma futura coleção da autora.

“Profissões para mulheres e outros artigos feministas” eu tenho na edição da L&PM Pocket com tradução de Denise Bottmann. Provavelmente é um título que eu vou reler para o desafio do blog.


E, então, você já conhecia a autora? Acompanhem nossa semana em homenagem a Virginia Woolf.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

[Especial] - Semana Virginia Woolf



Em 25 de janeiro de 1882 nascia na cidade de Londres, Virginia Woolf. Filha do escritor e historiador Sir Leslie Stephen e Julia Prinsep, se tornou uma das principais figuras do modernismo. Ela tinha três irmãs e outros tantos meio-irmãos.

Durante essa semana que precede o dia 25, o blog apresenta postagens em homenagem à autora.


Acompanhe e conheça um pouco mais sobre vida e obra de Virginia Woolf. 

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Caro Leitor, por Mirele Longatti



Hoje comemoramos o "Dia do Leitor" e é com muito prazer que apresentamos o poema, em homenagem a todos os leitores do blog, escrito por Mirele Longatti.

Caro leitor

Caro tempo
caros livros.
Cara dedicação
cara disposição.

Caro leitor
Tenha entre algumas linhas
entrelinhas.
E um universo imerso na vastidão
de orações.
Completas, dispersas, subjetivas e 
discursivas.

Caro leitor
Seja sempre o deslumbre da
leitura incumbida de gozo,
condenando arduamente análises
que destroem a paixão.

Caríssimo leitor
Que na leitura mantenha a alma
de criança,
mesmo que para a vida ela esteja
indizivelmente velha.

Entre o prefácio de uma narração
e o índice de sua consciência.
Entre a biografia de um autor e
uma nota interior.

Caro leitor
Que abre na capa o céu,
folheia recomeços
e se torna autor de cada página
em branco de sua vida.

Entre sua existência 
que esvai-se no papel e assume
outra forma.
Faça seu papel, esqueça suas
chagas e aproveite os livros,
caro leitor.

Acompanhem os textos da poetisa Mirele Longatti no blog Seja Culto.  

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

TOP - Melhores e Piores leituras de 2012

Hoje escrevo sobre minhas leituras de 2012, o melhor e o pior deste ano que não celebrou o fim do mundo e foi o mais produtivo para mim na leitura.

Somam 57 livros lidos, então, devo dizer que dá para ter uma boa noção de bom e ruim e mesmo que quisesse fazer um TOP 10 para cada um, não foi possível. Alguns títulos de maneira nenhuma poderia entrar em uma lista e ser excluído da outra, então nem serão citados.

Vamos começar com o que de melhor eu li este ano?

TOP 7 – Melhores leituras de 2012


#7A Fúria dos Reis, George R. R. Martin

Segundo volume da aclamada série “As crônicas de gelo e fogo”, não me surpreendeu tanto quanto o primeiro, entretanto Martin mostra novamente suas habilidades em manter o leitor vidrado em seus personagens.

Um cometa da cor do sangue e fogo atravessa o céu. E a partir da cidade antiga de Dragonstone às margens proibidas de Winterfell, reina o caos. Seis nações lutam pelo controle de uma terra dividida e pelo Trono de Ferro dos Sete Reinos, preparando-se para o embate através de tumulto, confusão e guerra. É um conto em que irmãos conspiram contra irmão e os mortos se levantam no meio da noite. Neste lugar uma princesa se disfarça como um garoto órfão, um cavaleiro espiritual prepara um veneno para uma feiticeira traidora, e homens selvagens descem das Montanhas da Lua para devastar o campo de batalha. Com um pano de fundo incesto, alquimia e assassinato, a vitória pode chegar aos homens e mulheres possuidores do aço mais frio… e corações mais gelados. Quando há um confronto entre reis, toda a terra treme.

Nas diversas conversas com fãs da série o terceiro volume, “A Tormenta de Espadas”, é citado como o melhor. Infelizmente o tempo foi curto e não tive oportunidade de lê-lo.

#6A Culpa é das Estrelas, John Green

Uma das leituras mais agradáveis do ano.

Em A Culpa é das Estrelas, Hazel é uma paciente terminal de 16 anos que tem câncer desde os 13. Ainda que, por um milagre da medicina, seu tumor tenha encolhido bastante — o que lhe dá a promessa de viver mais alguns anos —, o último capítulo de sua história foi escrito no momento do diagnóstico. Mas em todo bom enredo há uma reviravolta, e a de Hazel se chama Augustus Waters, um garoto bonito que certo dia aparece no Grupo de Apoio a Crianças com Câncer. Juntos, os dois vão preencher o pequeno infinito das páginas em branco de suas vidas.









#5O Nome do Vento, Patrick Rothfuss

Primeiro volume de “A Crônica do Matador do Rei”, o livro segue sob um ritmo lento, porém seus leitores vão logo se cativar com a personagem principal e sobre mistério ao seu redor: Um herói? Um vilão?

Ninguém sabe ao certo quem é o herói ou o vilão desse fascinante universo criado por Patrick Rothfuss. Na realidade, essas duas figuras se concentram em Kote, um homem enigmático que se esconde sob a identidade de proprietário da hospedaria Marco do Percurso.
Da infância numa trupe de artistas itinerantes, passando pelos anos vividos numa cidade hostil e pelo esforço para ingressar na escola de magia, O nome do vento acompanha a trajetória de Kote e as duas forças que movem sua vida: o desejo de aprender o mistério por trás da arte de nomear as coisas e a necessidade de reunir informações sobre o Chandriano - os lendários demônios que assassinaram sua família no passado.
Quando esses seres do mal reaparecem na cidade, um cronista suspeita de que o misterioso Kote seja o personagem principal de diversas histórias que rondam a região e decide aproximar-se dele para descobrir a verdade.
Pouco a pouco, a história de Kote vai sendo revelada, assim como sua multifacetada personalidade - notório mago, esmerado ladrão, amante viril, herói salvador, músico magistral, assassino infame.
Nesta provocante narrativa, o leitor é transportado para um mundo fantástico, repleto de mitos e seres fabulosos, heróis e vilões, ladrões e trovadores, amor e ódio, paixão e vingança.

Outra vez, diversos leitores da série já falaram comigo que o segundo volume é ainda melhor, esse talvez entre para a lista do ano que vem.

#4A Metamorfose, Franz Kafka

Esse foi meu primeiro contato com a obra de Kafka e o li especialmente para o I Encontro de Leitores de Literatura Fantástica de Congonhas. É uma obra que independente de sua data de publicação tem uma forte presença na sociedade atual, com uma crítica social forte.

A Metamorfose é a mais célebre novela de Franz Kafka e uma das mais importantes de toda a história da literatura. O texto coloca o leitor diante de um caixeiro-viajante - o famoso Gregor Samsa - transformado em inseto monstruoso. A partir daí, a história é narrada com um realismo inesperado que associa o inverossímil e o senso de humor ao que é trágico, grotesco e cruel na condição humana - tudo no estilo transparente e perfeito desse mestre inconfundível da ficção universal.

Uma leitura mais do que recomendada.








#3O Quarto de Jacob, Virginia Woolf

Outra vez primeiras experiências, agora com a escritora inglesa Virginia Woolf. A indicação para a obra “O Quarto de Jacob” estava no prefácio de “Maurice” de E.M.Forster escrito por Ronald Polito.

Li este ano ainda o livro “Profissões para mulheres e outros artigos feministas” que reuni alguns de seus ensaios e resenhas e posso dizer que sou um admirador convicto e entre minhas metas para 2013 está a leitura de pelo menos uns cinco livros da autora, quem sabe mais.

Uma obra libertadora.

O Quarto de Jacob é o livro que marca a passagem de Virgínia Woolf da literatura tradicional para o universo do experimentalismo, com o qual acabaria deixando sua revolucionária marca literária. Jacob Flanders é o personagem central de uma história, que não se revela e nem se conclui. Nesta obra, não é a ação que conduz a narrativa, mas os tormentos, as dúvidas, as ambições, e os amores por pessoas e livros, que ditam o rumo dos acontecimentos. A seqüência dos eventos é apresentada da mesma forma aparentemente desconexa que rege a mente humana. Traduzido pela consagrada autora Lya Luft, a obra se mantém repleta de nuances.


#2Trilogia Jogos Vorazes, Suzanne Collins

Não podemos negar que este foi o ano das distopias. O gênero literário ganhou diversas publicações em língua portuguesa e alguns anúncios para adaptações cinematográficas. Distopia não é novidade, porém vem alcançando um maior número de leitores principalmente do público juvenil.
Meu segundo lugar, então, fica com uma das séries de maior sucesso, “Jogos Vorazes”. Não a coloco aqui só pelo número de leitores, mas por ser um das únicas leituras a me surpreender. Não conseguia largar esses livros enquanto lia e sempre queria mais.
Nesse caso especifico não me dei ao luxo de escolher somente um para entrar na lista, seria um trabalho ainda mais difícil e cruel.

Após o fim da América do Norte, uma nova nação chamada Panem surge. Formada por doze distritos, é comandada com mão de ferro pela Capital. Uma das formas com que demonstram seu poder sobre o resto do carente país é com Jogos Vorazes, uma competição anual transmitida ao vivo pela televisão, em que um garoto e uma garota de doze a dezoito anos de cada distrito são selecionados e obrigados a lutar até a morte! Para evitar que sua irmã seja a mais nova vítima do programa, Katniss se oferece para participar em seu lugar. Vinda do empobrecido distrito 12, ela sabe como sobreviver em um ambiente hostil. Peeta, um garoto que ajudou sua família no passado, também foi selecionado. Caso vença, terá fama e fortuna. Se perder, morre. Mas para ganhar a competição, será preciso muito mais do que habilidade. Até onde Katniss estará disposta a ir para ser vitoriosa nos Jogos Vorazes?

#1A Visita Cruel do Tempo, Jennifer Egan

Egan escreve com personalidade um provável futuro para a humanidade seguindo pela ascensão da tecnologia e como esta pode mudar o ser humano. Com diversas histórias paralelas, “A visita cruel do tempo” é inovador, pronto a nos fazer refletir sobre nossas ações, porém em momento nenhum nos dita lições de auto-ajuda.

Minha melhor leitura de 2012 e o pouco que escrevo sobre esse livro não será capaz de descrever a grandiosidade dessa história.

Bennie Salazar é um executivo da indústria musical. Ex-integrante de uma banda de punk, ele foi o responsável pela descoberta e pelo sucesso dos Conduits, cujo guitarrista, Bosco, fazia com que Iggy Pop parecesse tranquilo no palco. Jules Jones é um repórter de celebridades preso por atacar uma atriz durante uma entrevista e vê na última — e suicida — turnê de Bosco a oportunidade de reerguer a própria carreira. Jules é irmão de Stephanie, casada com Bennie, que teve como mentor Lou, um produtor musical viciado em cocaína e em garotinhas. Sasha é a assistente cleptomaníaca de Bennie, e seu passado desregrado e seu futuro estruturado parecem tão desconexos quanto as tramas dos muitos personagens que compõem esta história sobre música, sobrevivência e a suscetibilidade humana sob as garras do tempo.

O livro ganhou o Pulitzer e Egan visitou o Brasil na FLIP.

Essas foram minhas melhores leituras. Espero que tenham gostado e podem deixar seus comentários lá embaixo.

Agora vamos para as piores e derradeiras leituras de 2012.


TOP 5 - Piores leituras de 2012

#5Assassin’s Creed - Renascença, Oliver Bowden

Além dos romances distópicos, diversos livros adaptados dos games foram lançados e estão programados para serem lançados. “Assassin’s Creed – Renascença” foi meu primeiro contato com esse universo e infelizmente detestei a leitura a ponto de terminá-lo por obrigação mesmo.

Traído pelas famílias que governam as cidades-estado italianas, um jovem embarca em uma jornada épica em busca de vingança. Para erradicar a corrupção e restaurar a honra de sua família, ele irá aprender a Arte dos Assassinos. Ao longo do caminho, Ezio terá de contar com a sabedoria de grandes mentores, como Leonardo da Vinci e Nicolau Maquiavel, sabendo que sua sobrevivência depende inteiramente de sua perícia e habilidade. Para os seus aliados, ele será uma força para trazer a mudança lutando pela liberdade e pela justiça. Para os seus inimigos, ele será uma ameaça que procura destruir os tiranos que oprimem o povo da Itália. Assim começa uma épica história de poder, vingança e conspiração.

O que mais me incomodou foi a presença de Leonardo Da Vinci na narrativa de ficção como um ajudante na vingança da personagem principal.

Ainda leirei os outros volumes para quem sabe comprovar uma melhora.



#4 – Por isso a gente acabou, Daniel Handler

Uma personagem dramática que precisa repetir a cada página “e por isso a gente acabou”, o que me tirou do sério em quase toda a leitura. A diagramação é perfeita, porém incapaz de equilibrar a derradeira narrativa.

Por isso a gente acabou trata, com a comicidade típica do autor, de uma situação difícil pela qual todos um dia irão passar: o fim de uma relação amorosa e toda a angústia, tristeza e incerteza que essa vivência pode gerar. Min Green e Ed Slarteron estudam na mesma escola e, depois de apenas algumas semanas de convívio intenso e apaixonado, acabam o namoro. Depois de sofrer muito, Min resolve, como marco da ruptura definitiva, entregar ao garoto uma caixa repleta de objetos significativos para o casal junto com uma carta falando sobre cada um desses objetos e do episódio que ele representou, sempre acrescentando, ao final, uma nova razão para o rompimento. Essa carta é o texto de Por isso a gente acabou, que é, assim, carregado de um tom informal e tragicômico - características da personagem - e traduz com um misto de simplicidade e profundidade a história de uma separação. Imerso neste universo adolescente, o leitor conhecerá a divertida personalidade de Min, uma garota apaixonada por filmes cujo sonho é ser diretora de cinema, e as idas e vindas deste romance, desde o dia em que os dois conversaram pela primeira vez até o instante em que tudo acabou. A artista Maira Kalman, autora de diversas capas da revista The New Yorker, ilustrou cada um dos objetos da narrativa, trazendo cor e descontração a esta história dolorida.

#3 – A garota da capa vermelha, Sarah Blakley-Cartwright 

Aqui temos o inverso, o livro foi baseado no filme. Achei que podia ter um bom resultado e a autora faz um trabalho ainda pior. Se você viu o filme, não precisa perder tempo com o livro.
E para melhorar a situação do leitor a editora não colocou o final na edição impressa e o disponibiliza na internet. Para falar a verdade nem tive curiosidade de abrir o site.

O corpo de uma garota é descoberto em um campo de trigo. Em sua carne mutilada, marcas de garras. O Lobo havia quebrado a paz. Quando Valerie descobre que sua irmã foi assassinada pela lendária criatura, ela acaba mergulhando de forma irreversível em um grande mistério que vem amaldiçoando sua aldeia por gerações. A revelação vem com Father Solomon: o Lobo habita entre eles — o que torna qualquer pessoa do vilarejo suspeita. Estaria Peter, sua paixão secreta desde a infância, envolvido nos ataques? Ou seria Henry, seu noivo, o Lobisomem que assola as redondezas? Ou, talvez, alguém mais próximo? Enquanto todos estão à caça da besta, Valerie recorre à Avó em busca de ajuda; ela dá à neta uma capa vermelha feita à mão e a orienta através da rede de mentiras, intrigas e decepções que vem controlando o vilarejo por muito tempo. Descobrirá Valerie o culpado por trás do lobo antes que toda a aldeia seja exterminada? A Garota da Capa Vermelha é uma nova e arrepiante versão do clássico conto. Nela, o final feliz poderá ser difícil de ser encontrado.

#2Ahmnat – Os amores da Morte, Julien De Lucca

Este ano tentei ler o máximo que pude de literatura nacional, principalmente de pequenas editoras e de novos autores. Ahmnat é um livro extremamente chato, com uma narrativa que não se decide e você lê quase 400 páginas e pode descartar metade delas.
Bom, o autor promete um segundo volume.

O que pode acontecer quando Morte e Destino brincam com o sentimento mais perigoso? Ahmnat é uma garota egípcia que, após uma vida cheia de turbulências, tristezas e mágoas, assume o cargo de Morte e passa a viver entre este mundo e o além-vida. Porém ela não está sozinha. Logo conhece Destino, responsável por escrever as vidas mortais, que fica surpreso e abismado ao vê-la no lugar de poderosa entidade. Destino propõe, então, um sádico jogo a Ahmnat: criará dez vidas mortais, humanos bem especiais, para tentar fazê-la se apaixonar por eles. Se Ahmnat se apaixonar por qualquer um, ela volta para a Terra como mortal novamente, dando a oportunidade de Destino reescrever sua vida. Caso contrário, será Destino quem se tornará mortal, permitindo que Morte venha buscá-lo pessoalmente.




#1 – A Promessa, Richard Paul Evans

Romance “água com açúcar” que agradeço muito por sua leitura ter durado somente um dia. Não vou nem falar muita coisa, é a história de sempre: Traição, separação, novo amor e uma baita confusão do autor.

Ela havia perdido todas as esperanças e encontrou um homem que cumpre suas promessas... Beth Cardall tem um segredo. Durante dezoito anos, ela não teve escolha senão guardá-lo para si, mas, na véspera do Natal de 2008, tudo isso está prestes a mudar. Para Beth, 1989 foi um ano marcado pela tragédia. Sua vida estava desmoronando: sua filha de seis anos, Charlotte, sofria de uma doença misteriosa; seu casamento transformou-se de uma relação aparentemente feliz e carinhosa em algo repleto de traição e sofrimento; seu trabalho estava por um fio e ela perdera totalmente a capacidade para confiar, ter esperanças e acreditar em si mesma. Até que, um dia extremamente frio, após atravessar uma nevasca até a loja de conveniência mais próxima, Beth encontra Matthew, um homem misterioso e encantador, que mudaria de uma só vez o curso de sua vida.


É isso aí, pessoal, deixem seus comentários e suas opiniões. 

Até mais.

domingo, 9 de setembro de 2012

[Especial] - I Encontro de leitores de Literatura Fantástica


“Há um fenômeno estranho que se pode explicar de duas maneiras, por meio de causas de tipo natural e sobrenatural. A possibilidade de se hesitar entre os dois criou o efeito fantástico” (TODOROV, 1968, p.31)

Os dragões sobrevoarão o nosso céu...
Os anjos cairão sobre nossas ruas...
Os vampiros estarão preparados para o ataque...
E um hobbit vem anunciar...


Faz muito tempo que o ser humano vem sendo fascinado pelo mundo fantástico. O sucesso do estilo é tanto que conquistou milhares de leitores em todo o mundo. Então, chegou a hora destes se reunirem para aclamarem os seres da fantasia e seus criadores.

Da Terra-Média a Westeros.

A cidade de Congonhas em Minas Gerais será invadida, incendiada e os seres aqui residentes lutaram pela sobrevivência.

Preparem-se

A profecia foi anunciada

10/10/2012
às 19:00h

Local para refugiados: Biblioteca Pública Municipal “Djalma Andrade”
Rua Alterosa, 25 – Vila Andreza

Nota para sobreviventes que não acreditam em seres fantásticos:
Haverá também o I Encontro de leitores de Romance, um dia antes no mesmo horário.

Agora para os leitores do blog que não puderem comparecer deixem aí seus comentários com suas opiniões sobre a Literatura Fantástica. Confira cobertura completa aqui no blog.

Aguardo todos.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

[Especial - Livro/ Filme] - O Outro e O Amante


Título Original: Der Andere - Autor: Bernhard Schlink - Tradução: Kristina Michahelles - Editora: Record - Ano: 2009 - Páginas: 96

Às vezes leio o expressar da opinião de alguns leitores a julgar um livro por suas páginas e não pelo conteúdo. Isso só demonstra de forma um tanto grosseira a hipocrisia pela arte de escrever.

Eis que um dia desses enquanto passeava pelas estantes da biblioteca onde trabalho, encontrei um exemplar de “O Outro” tão escondido entre os gigantes ao seu lado que seria possível desprezá-lo a um olhar distraído. Já ouvira sobre o autor e sua obra “O Leitor”, cujo filme é inesquecível.

Então sem mais delongas, peguei o livro e comecei a folheá-lo em uma leitura que não durara certa de três horas. Vamos às considerações da narrativa.

Schlink desenvolve personagens concretos capazes de nos envolver em seus sentimentos e mesmo a narrativa estando concentrada no principal, percebemos os que o cercam na construção das falas e em suas 
considerações.

O desenrolar se dá quando Bengt encontra cartas de um suposto amante da mulher falecida. Em busca de respostas ele procura o outro e nos surpreende, (isso eu posso garantir).

O missivista não datara nenhuma das quatro cartas. O carimbo postal na primeira carta datava de doze anos atrás, nas outras três, onze anos atrás, com diferença de poucos dias entre uma e outra.
O que teria acontecido depois da última carta? Lisa cedera? O Outro desistira? Desistira, sem voltar a escrever nenhuma outra carta?
Trecho retirado das páginas 27 e 28.

Como havia dito a história é bem curta e se começar a falar demais posso acabar com a leitura de quem queira ler. Por fim, avalio o livro em quatro estrelas e recomendo a quem goste de um romance ou  esteja começando com o hábito da leitura e procure algo breve, porém de qualidade.

Bom, agora estaria na hora de falar do autor, mas calma lá. Seguindo a linha do sucesso de “O Leitor”, “O Outro” foi adaptado para o cinema com direção de Richard Eyre e atuação de Liam Neeson, Laura Linney e Antonio Banderas sob o título “O Amante”

Adaptar livros para o cinema me parece sempre um grande desafio para os diretores. Eles podem levar a história para água abaixo ou transformar o livro em um espetáculo. Quando comecei a assistir "O Amante", alguns dias após a leitura esperava muito visto que a adaptação de "O Leitor" rendera indicações ao Oscar.

O diretor fez um trabalho muito sutil no roteiro, mantendo os personagens como são descrito por Schlink. Eles são concretos e bem interpretados pelos atores. A surpresa do filme fica quanto ao que aconteceu com Lisa, mulher de Bengt, enquanto no livro sua morte marca o iniciar da história, no filme o diretor guarda esse fato para o final, o que deixa um ar de mistério no ar.

Fiquei muito triste por trocar as cartas por e-mails. As cartas davam para a narrativa a magia de um romance e o receio dos personagens. Tudo bem, né?

Sendo o livro bem curtinho é uma boa pedida a adaptação e para quem viu a adaptação é uma boa dica de leitura.

Sobre o autor de O outro:

Bernhard Schlink escreveu diversos best selleres, entre eles "O Leitor", que, além do êxito em seu país, alcançou o primeiro lugar na lista do New York Times e obteve grande sucesso no Brasil, ao conquistar as principais listas de mais vendidos. O livro ganhou adaptação para o cinema vencedora de um Globo de Ouro e um Oscar, com Kate Winslet e Ralph Fiennes nos papéis principais. "O Amante" adaptação de "O Outro", chegas às telas, com Liam Nesson, Antonio Banderas e Laura Linney à frente do elenco. Schlink é professor de direito e filosofia na Universidade Humboldt de Berlim desde 1996.